domingo, 4 de janeiro de 2026

O LIVRO DE EZEQUIEL E SUA VSÃO INAUGURAL

 


Ez.1.1-14, 26-28

Introdução: Nada se sabe da sua vida à parte daquilo que é contido no livro que leva seu nome, nem existe tradição alguma que nos diga onde ou como morreu. Sabemos que era casado, e que sua esposa morreu na ocasião da queda de Jerusalém (24:18).

 I O LIVRO

1-Estilo e contexto histórico (Ez.1.1

Pontos-chave dos estudos:

1.      Contexto Histórico: Ezequiel, um sacerdote, estava no exílio em Babilônia (junto ao rio Quebar) quando recebeu a visão, no quinto ano do cativeiro de Joaquim (cerca de 593 a.C.).

2.      Propósito da Visão: Revelar que Deus não estava restrito ao Templo em Jerusalém, mas podia manifestar Sua glória e presença onde Seu povo estivesse, mesmo no exílio, trazendo uma mensagem de esperança e de julgamento.

3.      Natureza da Visão (Teofania): Uma manifestação sobrenatural da presença e glória de Deus, usando linguagem simbólica e figuras impressionantes para descrever o indescritível.

4.      Símbolos Centrais: Os Quatro Seres Viventes (Querubins): Aparência humana com quatro rostos (homem, leão, boi, águia) e quatro asas, representando poder, inteligência e mobilidade divina.

5.      As Rodas (Ophanim): Rodas dentro de rodas, cheias de olhos, que se moviam com os querubins, simbolizando o conhecimento e a onipresença de Deus.

6.      O Trono e a Figura Humana: Uma figura semelhante a um homem sobre um trono de safira, cercada por fogo e um resplendor como o arco-íris, representando a majestade e a glória de Deus.

7.      Impacto no Profeta: Ezequiel ficou tão maravilhado e atemorizado que caiu com o rosto em terra, sentindo o poder do Espírito Santo.

8.      Gênero Apocalíptico: A visão se encaixa no gênero apocalíptico, comum em Ezequiel, Daniel e Apocalipse, caracterizado por imagens fantásticas e simbólicas para revelar verdades divinas. 

9.      Esses estudos enfatizam que, apesar da dificuldade em interpretar cada detalhe, a mensagem principal é a grandiosidade de Deus e Seu chamado para Ezequiel ser um mensageiro fiel em tempos difíceis. 

 

2-O objetivo (Ez.1.3)

Pontos Chave de Ezequiel 1:3:

·        "Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote": Indica uma comunicação direta e específica de Deus, não uma interpretação, a um sacerdote, mostrando a seriedade do chamado.

·        "Na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar": Situa o evento no exílio babilônico, um local de desgraça para os israelitas, destacando que Deus fala mesmo em lugares de sofrimento e desespero.

·        "E ali esteve sobre ele a mão do Senhor": Sinaliza o poder e a autoridade de Deus agindo sobre Ezequiel, preparando-o para a tarefa profética, uma experiência de poder divino. 

Temas para Estudo:

1.      Vocação Profética: Ezequiel 1-3 detalha o chamado, onde Deus o capacita a ser um atalaia, um alerta para um povo rebelde.

2.      O Contexto do Exílio: O livro começa com o povo em desespero, e a missão de Ezequiel é levar a Palavra de Deus nesse cenário de dor, desafiando-os ao arrependimento.

3.      A Mão do Senhor: O toque de Deus não é para conforto, mas para capacitar e impulsionar o profeta a uma tarefa árdua, como visto nos capítulos seguintes.

4.      A Glória de Deus: O verso introduz a visão da glória de Deus que se manifesta, abrindo caminho para as complexas visões dos seres viventes e do trono.

5.      Sacerdote e Profeta: Ezequiel era sacerdote, mas se torna profeta, unindo a responsabilidade litúrgica à responsabilidade de falar a Palavra de Deus ao povo. 

3-Temas centrais (Ez.1.4)

Principais Pontos de Estudo: O Contexto: Ezequiel foi chamado para profetizar no exílio babilônico, um período de dor e desesperança para Israel, e precisava de uma visão poderosa para transmitir a mensagem de Deus.

·        A Visão da Tempestade: O versículo descreve uma "tempestade" vinda do Norte, com fogo, um brilho intenso (âmbar/bronze) e um resplendor ao redor, representando a majestade e o poder divino.

·        Os Seres Viventes (Querubins): Quatro criaturas com características humanas e animais (rostos de homem, leão, boi, águia) e asas, que se moviam com rodas cheias de olhos, sem precisar virar o corpo, indicando onisciência e movimento divino.

·        Gênero Apocalíptico: A visão é um exemplo de literatura apocalíptica, usando imagens fantásticas para comunicar verdades teológicas profundas sobre o caráter de Deus e Seu juízo.

·        Significado Teológico: Simboliza:

ü  A presença soberana de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e ao cativeiro.

ü  O julgamento de Deus contra a desobediência de Israel.

ü  O poder e a ação de Deus na história.

ü  Um chamado para Ezequiel ser a voz de Deus, ecoando Sua Palavra para o mundo. 

 II A VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS

1-Os seres viventes (Ez.1.5)

Principais Pontos de Estudo em Ezequiel 1:5-14:

1.      Os Seres Viventes (Querubins):

·        Aparência: Semelhantes a homens, mas com quatro rostos (homem, leão, boi, águia) e quatro asas.

·        Movimento: Andavam para a frente, sem virar, com as asas tocando-se e cobrindo o corpo.

·        Pés: Como os de bezerro, brilhando como bronze polido, simbolizando andar reto e puro.

·        Mãos: Mãos de homem sob as asas, indicando capacidade de ação.

2.      As Rodas (Ofanim):

·        Uma roda dentro da outra, cheias de olhos em seus aros, movendo-se com os querubins, indicando a presença onisciente de Deus.

3.      Contexto da Visão:

·        Ocorre no exílio babilônico (rio Quebar) e introduz a glória de Deus, mostrando que Ele não está limitado a Jerusalém.

·        É uma visão teofânica (manifestação de Deus), complexa e cheia de simbolismo, típica do gênero apocalíptico.

4.      Significado Teológico:

·        Santidade e Majestade: Os seres e rodas representam a santidade, poder e movimento da presença de Deus.

·        Chamado Profético: A visão prepara Ezequiel para sua missão de levar a palavra de Deus ao povo em desespero.

·        Deus em Todo Lugar: Mesmo no exílio, Deus é glorioso e presente. 

 2-As rodas (Ez.1.16)

v  Quatro Rostos: Os seres possuíam faces de homem, leão, boi (ou touro) e águia. Tradicionalmente, esses rostos representam diferentes atributos ou aspectos da soberania e glória de Deus, ou, em algumas interpretações cristãs, os quatro Evangelhos: Homem: Simboliza inteligência, sabedoria e a imagem moral de Deus.

v  Leão: Representa majestade, força e realeza (Cristo como Rei).

v  Boi/Touro: Simboliza força, serviço e sacrifício (Cristo como Servo sofredor).

v  Águia: Representa soberania, natureza divina, visão celestial e rapidez de ação (Cristo como Deus).

v  Em conjunto, a combinação de rostos pode abranger todos os atributos que Deus possui, mostrando Sua onipresença e onisciência (tinham olhos por todo o corpo em outras descrições, como em Ezequiel 10).

1.       Quatro Asas: As asas indicam mobilidade e a capacidade de realizar a vontade de Deus de forma rápida e eficiente.

2.        Na visão, duas asas tocavam as dos seres ao lado (sugerindo unidade e cooperação), e as outras duas cobriam o corpo (sugerindo reverência e humildade diante da glória de Deus).

 3-O firmamento e o trono (Ez,1.26)

Principais pontos de estudo em Ezequiel 1:26:

v  O Trono de Safira: Simboliza a realeza e santidade de Deus, usando uma pedra preciosa associada ao céu e à pureza, como visto em Êxodo 24:10.

v  A Figura Humana: Uma semelhança de um homem sobre o trono, com aparência de fogo e um resplendor ao redor, revelando a glória de Deus de forma visível, embora ainda envolta em mistério e poder, segundo a Nova Versão Internacional e outras fontes.

v  Contexto da Visão: Faz parte de uma narrativa apocalíptica complexa (querubins, rodas, etc.) que busca expressar a majestade de Deus e a Sua presença no meio do exílio, conforme relatos como os do Canal da CNBB e YouTube.

v  Simbolismo: A visão descreve a glória do Senhor, com o arco-íris (sinal de aliança) e o fogo (purificação e poder), demonstrando a presença de Deus em meio à Sua criação e julgamento, como explicado em vários estudos bíblicos. 

 III OS SIGNIFICADOS  DA VISÃO

1-A presença de Deus (Ez.1.26)

1.       Ezequiel 1:26- Vê Deus sentado num Trono, na semelhança de um homem.

2.       Esta visão- Mostra que quando Deus resolve revelar-se plenamente, Ele o faz em forma humana- mediante Jesus Cristo (cf: Fp.2.5-7)

3.       Descreve a visão da glória de Deus, focando no trono celestial: uma estrutura semelhante a um trono de safira.

4.       Sobre o firmamento, e uma figura humana (representação de Deus) sobre ele, com brilho de fogo e resplendor, semelhante ao arco-íris, simbolizando a presença e a majestade divina. 

5.       Estudos destacam o caráter apocalíptico da visão, a complexidade dos elementos (querubins, rodas, trono) como tentativa humana de descrever o indescritível, e a profunda experiência de Deus que levou Ezequiel à prostração

 2-A Gloria de Deus (Ez.1.28a)

Estudos e Interpretações de Ezequiel 1:28a

·        Aparência do Arco-Íris: A visão da glória de Deus é comparada ao "aspecto do arco que aparece nas nuvens em dia de chuva".

·        O arco-íris, na teologia bíblica, remete diretamente à aliança de Deus com Noé (Gênesis 9), sendo um sinal visível e notável da promessa divina de que Ele não destruiria a terra novamente por meio de um dilúvio.

·        Simbolismo da Aliança e Misericórdia: No contexto de Ezequiel, que profetiza em meio ao exílio babilônico e ao julgamento iminente sobre Judá, o arco-íris serve como um poderoso símbolo de esperança e fidelidade divina.

·        Ele aparece após a "tempestade" da manifestação da glória e do juízo de Deus, indicando que, mesmo no meio da disciplina, a misericórdia e as promessas de Deus permanecem firmes.

·        Glória Indescritível: A descrição da glória de Deus utiliza linguagem simbólica e imagens para descrever o indescritível. Ezequiel usa o arco-íris como uma analogia visual para a luz e o resplendor ao redor do trono de Deus, reconhecendo a majestade e a transcendência divinas que vão além da compreensão humana.

·        Reação Humana: O versículo 28 continua com a reação de Ezequiel: "Ao ver isto, caí com o rosto em terra".

·         Essa prostração demonstra um profundo temor, reverência e adoração diante da magnitude da presença e da santidade de Deus.

·        Contexto da Visão: A visão de Ezequiel, em seu primeiro capítulo, é uma teofania (manifestação visível de Deus) que ocorreu junto ao rio Quebar, na Babilônia, para mostrar aos exilados que Deus estava presente com eles, em qualquer lugar, e que ainda tinha um plano de restauração para Seu povo, apesar da destruição do templo em Jerusalém. 

 3-A soberania de Deus (Ez.1.28b)

Estudos e Análises do Versículo

·        Reverência e Temor: A reação imediata de Ezequiel — prostrar-se com o rosto em terra — demonstra um profundo senso de humildade, reverência e temor diante da majestade e santidade de Deus. Essa é uma resposta comum na Bíblia quando humanos se deparam com a glória divina (outros exemplos incluem Pedro em Lucas 5:8 e João em Apocalipse 1:17).

·        Reconhecimento da Glória Divina: A visão descrita no capítulo 1, com seus detalhes simbólicos (quatro seres viventes, rodas, o firmamento e o trono), serve para ilustrar a indescritível glória e soberania de Deus. Ezequiel reconhece que está na presença do próprio Senhor, o que o leva a essa postura de submissão total.

·        Preparação para o Chamado: A experiência da glória de Deus e a subsequente prostração de Ezequiel são um prelúdio necessário para o seu chamado profético. Ver a Deus em Sua majestade ajuda o profeta a apreciar o caráter divino e a se preparar para a difícil tarefa de pregar a uma "casa rebelde de Israel".

·        Ouvir a Voz de Deus: A parte final do versículo ("e ouvi a voz de quem falava") é crucial. Somente após a humilhação e a reverência diante da glória de Deus é que Ezequiel está pronto para receber a palavra e a missão divinas. Isso sugere que uma perspectiva correta de Deus é fundamental para a obediência e para o ministério. 

Pr. Capl. Carlos Borges (CABB


sábado, 27 de dezembro de 2025

A PAZ E HARMONIA NO CORPO DE CRISTO

 


2 Ts.3.1-19

Introdução: A igreja está em uma posição duplamente difícil por ter de conciliar a necessidade de dissociação (é um fator psicológico, de uma pessoa desconexa da realidade) uma mantendo, simultaneamente, o forte amor fraternal pelos indisciplinados e rebeldes.

 I ORANDO

1-Prioridade da Palavra (2 Ts.3.1)

1.      Um estudo sobre 2 Tessalonicenses 3:1 foca no pedido de Paulo para que os cristãos orem pela propagação e glorificação da Palavra de Deus.

2.      Enquanto ele e sua equipe enfrentam oposição e a perseguição, destacando a importância da oração, da perseverança na fé e da manifestação do evangelho na vida diária para que a mensagem do Senhor continue a avançar rapidamente, mesmo em meio a dificuldades e falsos mestres. 

3.      . Oração por missões: Paulo pede orações para que a mensagem do Senhor (o evangelho) se espalhe rapidamente e seja bem recebida, como aconteceu em Tessalônica

4.      Libertação de perseguições: Ele também pede que Deus os livre de pessoas más e perversas, pois nem todos creem, e que os proteja do Maligno, que tenta frustrar o trabalho do evangelho.

5.      Fidelidade de Deus: Apesar dos desafios, Paulo lembra aos tessalonicenses que o Senhor é fiel e os fortalecerá e os livrará do Maligno, reforçando a esperança.

6.      Propósito da Palavra: A "Palavra do Senhor" não é apenas a pregação, mas também a manifestação do Logos (Jesus Cristo) e a vida transformada dos crentes, que refletem essa Palavra ao mundo.

7.      Contexto da carta: Este versículo (3:1) marca a transição para as instruções práticas de Paulo sobre disciplina na igreja, como lidar com o ócio e a importância de trabalhar. 

2-Proteção contra o mal (2 Ts.3.2-3)

O estudo de 2 Tessalonicenses 3:2-5 aborda a importância da oração mútua, o livramento divino de pessoas más e a fidelidade de Deus em fortalecer e guardar os crentes. 

Contexto

1.      Paulo escreve esta segunda carta à igreja de Tessalônica pouco tempo depois da primeira, em meio a perseguições e a mal-entendidos sobre a segunda vinda de Cristo.

2.      Os versículos 2-5 são parte de um apelo de Paulo por orações e uma expressão de confiança na proteção de Deus. 

Análise Versículo por Versículo

1.      Versículo 2: "E para que sejamos livres dos homens maus e perversos; porque a fé não é de todos."

2.      Oração pelo Livramento: Paulo pede que os irmãos orem por ele e seus cooperadores. O pedido específico é por proteção contra indivíduos que se opunham ao evangelho e tentavam impedir sua propagação.

3.      "Homens maus e perversos": Isso refere-se a pessoas que agiam com malícia, talvez aqueles que pregavam com interesses egoístas ou se opunham à verdade do evangelho.

4.      "A fé não é de todos": Esta frase significa que nem todas as pessoas estão dispostas a crer ou a receber a mensagem de salvação. A fé é um dom e uma resposta do coração à Palavra de Deus.

Versículo 3: "Mas o Senhor é fiel, o qual vos confirmará e guardará do maligno."

1.      A Fidelidade de Deus: Em contraste com a infidelidade dos "homens maus", a fidelidade de Deus é inabalável. Ele cumpre Suas promessas.

2.      Confirmação e Proteção: A palavra "confirmar" (do grego histerizo) significa tornar firme, pôr a salvo e fortalecer.

3.       Deus fortalece Seus filhos em meio a lutas e provações e os protege da influência do maligno (Satanás e suas obras).

 3-Confiança em Deus (2 Ts.3-4-5)

1.       O estudo de 2 Tessalonicenses 3:4-5 -Foca na fidelidade de Deus em proteger e guiar os crentes, e na confiança do Apóstolo Paulo na obediência da comunidade de Tessalônica. 

Contexto

2.      Estes versículos fazem parte da conclusão da carta, onde Paulo mistura exortações práticas com expressões de confiança e oração.

3.      Logo antes (v. 1-3), ele pede orações para que a mensagem do evangelho se propague e para que a igreja seja liberta de "homens perversos e maus". 

Análise dos Versículos

1.      Versículo 4: "Temos, porém, confiança no Senhor, de que tanto fazeis como fareis o que vos mandamos."

2.      Confiança no Senhor: A base da certeza de Paulo não está na capacidade humana dos tessalonicenses, mas na fidelidade de Deus operando neles.

3.      É uma expressão de esperança teológica.

4.      Obediência Prática: Paulo confia que os crentes estão, e continuarão a, seguir suas instruções.

5.       As instruções incluíam a conduta moral, a expectativa correta sobre a segunda vinda de Cristo e, no restante do capítulo, a disciplina e a ética do trabalho (evitando a ociosidade).

6.      Versículo 5: "Ora, o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus e na constância de Cristo."

7.      Oração e Desejo: Este é um desejo (ou oração) apostólico, pedindo a intervenção direta de Deus na vida da igreja.

8.      Amor de Deus: O objetivo é que o amor de Deus (tanto o amor d'Ele por nós, quanto o nosso amor por Ele e pelos outros) seja a força motriz de suas vidas.

9.      Constância (Perseverança) de Cristo: A palavra grega para "constância" (ou paciência/perseverança) implica em suportar provações e perseguições com a mesma firmeza e fidelidade que Cristo demonstrou.

10.    A perseverança na fé, mesmo diante das dificuldades, é um tema central na epístola. 

 II TRABALHANDO

1-Combata à preguiça (2 Ts.3.6-10)

1.      O estudo de 2 Tessalonicenses 3:6-10 aborda a importância do trabalho disciplinado e adverte contra a ociosidade, que era um problema na igreja de Tessalônica.

2.      Paulo instrui os crentes a se afastarem dos que viviam de forma desordenada e a seguirem seu próprio exemplo de sustento honesto. 

Contexto

1.      Alguns membros da comunidade de Tessalônica, possivelmente devido a uma crença equivocada na iminente volta de Jesus, pararam de trabalhar e começaram a viver às custas da generosidade alheia, intrometendo-se na vida dos outros (curiosidade).

2.       Paulo escreveu esta carta, pouco tempo depois da primeira, para corrigir essa conduta e fortalecer a igreja na prática da vida cristã. 

Análise dos Versículos

1.      Versículo 6: Paulo ordena, em nome de Jesus Cristo, que a igreja se afaste de qualquer irmão que viva ociosamente e não siga a "tradição" (ensino apostólico) que lhes foi transmitida.

2.       Isso não significa exclusão total, mas uma medida disciplinar para envergonhar o preguiçoso e levá-lo ao arrependimento.

3.      Versículos 7-9: O apóstolo usa a si mesmo e seus companheiros (Silas e Timóteo) como exemplo.

4.      Embora tivessem o direito de ser sustentados pela igreja por seu trabalho missionário, eles optaram por trabalhar arduamente, dia e noite, para não serem um fardo financeiro para ninguém.

5.      A intenção era servir de modelo de conduta trabalhadora.

6.      Versículo 10: Este é o cerne da passagem e a ordem explícita de Paulo.

7.       "Se alguém não quiser trabalhar, também não coma".

8.      A frase não se refere a pessoas doentes, incapacitadas ou que buscam trabalho sem sucesso, mas sim àqueles que, tendo condições, recusam-se a trabalhar e exploram a bondade dos outros.

9.      A ociosidade é vista como incompatível com a vida cristã. 

 2-Valor do trabalho (2 Ts.3.11-12)

1.      O estudo de 2 Tessalonicenses 3:11-12 foca na repreensão de Paulo a crentes ociosos que se intrometiam na vida alheia, exortando-os, em nome de Jesus Cristo.

2.      A trabalhar com tranquilidade para sustentar-se e comer seu próprio pão.

3.      Destacando a importância do trabalho honesto e ordenado como parte da vida cristã e em contraste com a desordem e a fofoca, especialmente diante da expectativa da volta de Cristo. 

Contexto da Epístola

1.      Falsos Ensinos: Paulo e Silas escrevem para corrigir mal-entendidos sobre a volta de Cristo e combater ociosidade e desordem na igreja de Tessalônica, que estava sendo afetada por boatos e perseguições.

2.      Esperança e Ação: Embora encorajando a fé e a perseverança, Paulo enfatiza que a espera pela vinda do Senhor não justifica a inatividade. 

Análise de 2 Tessalonicenses 3:11-12

3.      "Ouvimos que alguns de vocês estão ociosos (desordenados), não trabalhando, mas se intrometendo na vida alheia" (v. 11):Ociosidade/Desordem: "Ociosos" (grego: argoi) significa sem trabalho, preguiçosos.

4.      "Desordenadamente" (grego: ataktos) indica falta de disciplina e alinhamento com a ordem cristã, focando em futilidades ("coisas vãs").

5.      Intromissão: Pessoas sem ocupação acabavam por se envolver em bisbilhotices e fofocas, prejudicando a comunidade.

6.      "A tais pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão" (v. 12):

7.      Mandamento: Paulo, com autoridade em Cristo, ordena que mudem de atitude.

8.      Trabalho e Sossego: O chamado é para trabalhar de forma calma ("com sossego"), sem tumulto, provendo o sustento próprio ("comer o seu próprio pão").

9.      Independência: É um chamado à responsabilidade pessoal, não dependendo dos outros ou vivendo de forma desordenada. 

 3-Disciplina com amor (2 Ts.3.13-15)

1.      E vocês, irmãos, não se cansem de fazer o bem.

2.      Se alguém não obedecer à nossa instrução nesta carta, marquem-no e não se associem a ele, para que se sinta envergonhado."

3.      Versículo 13: "E vocês, irmãos, não se cansem de fazer o bem" Contexto: Este versículo vem imediatamente após Paulo instruir que cada um trabalhe tranquilamente e coma do seu próprio pão (2 Ts.3:12), combatendo a ociosidade que alguns membros da igreja estavam praticando, possivelmente por pensarem que a segunda vinda de Cristo era iminente.

4.      Significado: A exortação é para a constância na prática do bem, que inclui o trabalho honesto e a ajuda mútua, em contraste com a indolência.

5.      A fé dos tessalonicenses dependia da fidelidade e do amor de Deus, e essa fidelidade deveria se refletir em suas ações diárias.

6.      Aplicação: Os crentes devem manter-se firmes e ativos no serviço e nas boas obras, não permitindo que a ociosidade alheia ou as dificuldades os desencorajem ou os tornam preguiçosos. 

7.      Versículo 14: "Se alguém não obedecer à nossa instrução nesta carta, marquem-no e não se associem a ele, para que se sinta envergonhado" 

8.      Contexto: Paulo aborda diretamente a questão da disciplina eclesiástica para com aqueles que desobedecem às instruções apostólicas, principalmente sobre a ética do trabalho e a ordem na comunidade.

9.      Significado: A expressão "marquem-no" indica um afastamento social e de comunhão, não como um ato de exclusão permanente ou ódio, mas com um propósito corretivo.

10.    O objetivo é que a pessoa "se sinta envergonhada" e reconheça o erro de seu comportamento, que estava prejudicando a si mesma e à comunidade.

 III ABENÇOANDO

1-Fonte da Harmonia (2 Ts.3.16)

1.      2 Tessalonicenses 3:16 é uma bênção apostólica que pede ao "Senhor da Paz" que conceda paz "sempre e de todas as maneiras", com a presença contínua de Deus na vida dos fiéis.

2.      Um conceito que abrange tranquilidade, harmonia e prosperidade em todas as áreas, mesmo diante das adversidades, através de uma perspectiva espiritual.

3.      Que supera as circunstâncias materiais.

4.      Este versículo encerra uma carta que aborda a desordem e disciplina, reforçando que a paz é uma dádiva de Deus, não apenas ausência de conflito, mas a plenitude do 

 2-Assinatura Apostólica (2 Ts.3.17)

1.      O estudo de 2 Tessalonicenses 3:17 foca na importância da perseverança na fé e no trabalho.  Paulo abençoando os tessalonicenses, enfatizando que a Escritura os torna completos para toda boa obra.

2.      Contrastando com a ociosidade e a desordem, e instruindo a comunidade a se afastar de quem não trabalha, mas sem tratá-los como inimigos, incentivando-os à responsabilidade e à dependência de Deus para a paz e o amor. 

3.      Advertência contra a Ociosidade: Paulo adverte contra os que viviam desordenadamente, intrometendo-se na vida alheia e se recusando a trabalhar.

4.      Instruindo-os a comer do seu próprio pão e a se afastar desses irmãos para que se envergonhem.

5.      Assim os tratando como irmãos, não inimigos, para que se corrijam.

6.      Bênção e Encorajamento (vv. 16-18): O capítulo termina com uma oração de Paulo pela paz e pelo amor de Deus, reafirmando que o Senhor Jesus os guiará e os fortalecerá, e que a sua assinatura (de Paulo) confirma a autenticidade da mensagem. 

 3-Alicerce da Comunhão (2 Ts.3.18)

1.       Significado e Contexto-Bênção Apostólica Final: É um desejo fervoroso de Paulo para que a comunidade cristã experimente a graça de Cristo.

2.       Esta é uma conclusão comum nas cartas paulinas, servindo como um selo de autenticidade (Paulo escrevia a saudação final de próprio punho) e um lembrete da fonte de toda a paz e força.

·        Contexto da Carta: O capítulo 3 aborda questões práticas, como a ociosidade e a disciplina na igreja. Paulo instrui os crentes a se afastarem dos que vivem desordenadamente e não querem trabalhar, servindo-o de exemplo de diligência. A bênção final, portanto, enfatiza que, apesar das dificuldades e das correções necessárias, a comunidade permanece sob a graça capacitadora de Jesus Cristo.

·        Graça Abrangente: A expressão "com todas vós” sublinha a universalidade da graça de Deus para todos os crentes fiéis, oferecendo consolo e esperança em meio às tribulações e desafios práticos.

Pr. Capl. Carlos Borges (CABB)