Ez.1.1-14, 26-28
Introdução: Nada se sabe
da sua vida à parte daquilo que é contido no livro que leva seu nome, nem
existe tradição alguma que nos diga onde ou como morreu. Sabemos que era
casado, e que sua esposa morreu na ocasião da queda de Jerusalém (24:18).
1-Estilo e contexto
histórico (Ez.1.1
Pontos-chave dos estudos:
1. Contexto
Histórico: Ezequiel, um sacerdote, estava no exílio em Babilônia
(junto ao rio Quebar) quando recebeu a visão, no quinto ano do cativeiro de
Joaquim (cerca de 593 a.C.).
2. Propósito
da Visão: Revelar que Deus não estava restrito ao Templo em Jerusalém,
mas podia manifestar Sua glória e presença onde Seu povo estivesse, mesmo no
exílio, trazendo uma mensagem de esperança e de julgamento.
3. Natureza
da Visão (Teofania): Uma
manifestação sobrenatural da presença e glória de Deus, usando linguagem
simbólica e figuras impressionantes para descrever o indescritível.
4. Símbolos
Centrais: Os Quatro Seres Viventes (Querubins): Aparência
humana com quatro rostos (homem, leão, boi, águia) e quatro asas, representando
poder, inteligência e mobilidade divina.
5. As
Rodas (Ophanim): Rodas
dentro de rodas, cheias de olhos, que se moviam com os querubins, simbolizando
o conhecimento e a onipresença de Deus.
6. O
Trono e a Figura Humana: Uma figura semelhante a um homem sobre um
trono de safira, cercada por fogo e um resplendor como o arco-íris,
representando a majestade e a glória de Deus.
7. Impacto
no Profeta: Ezequiel ficou tão maravilhado e atemorizado que caiu com
o rosto em terra, sentindo o poder do Espírito Santo.
8. Gênero
Apocalíptico: A visão se encaixa no gênero apocalíptico, comum em
Ezequiel, Daniel e Apocalipse, caracterizado por imagens fantásticas e
simbólicas para revelar verdades divinas.
9. Esses
estudos enfatizam que, apesar da dificuldade em interpretar cada detalhe, a
mensagem principal é a grandiosidade de Deus e Seu chamado para Ezequiel ser um
mensageiro fiel em tempos difíceis.
2-O objetivo (Ez.1.3)
Pontos Chave de Ezequiel
1:3:
·
"Veio expressamente a palavra do Senhor
a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote": Indica uma comunicação direta
e específica de Deus, não uma interpretação, a um sacerdote, mostrando a
seriedade do chamado.
·
"Na terra dos caldeus, junto ao rio
Quebar": Situa o evento no exílio babilônico, um local de desgraça
para os israelitas, destacando que Deus fala mesmo em lugares de sofrimento e
desespero.
·
"E ali esteve sobre ele a mão do
Senhor": Sinaliza o poder e a autoridade de Deus agindo sobre
Ezequiel, preparando-o para a tarefa profética, uma experiência de poder
divino.
Temas para Estudo:
1.
Vocação Profética: Ezequiel 1-3 detalha o
chamado, onde Deus o capacita a ser um atalaia, um alerta para um povo rebelde.
2.
O Contexto do Exílio: O livro começa com
o povo em desespero, e a missão de Ezequiel é levar a Palavra de Deus nesse
cenário de dor, desafiando-os ao arrependimento.
3.
A Mão do Senhor: O toque de Deus não é para
conforto, mas para capacitar e impulsionar o profeta a uma tarefa árdua, como
visto nos capítulos seguintes.
4.
A Glória de Deus: O verso introduz a visão da
glória de Deus que se manifesta, abrindo caminho para as complexas visões dos
seres viventes e do trono.
5.
Sacerdote e Profeta: Ezequiel era sacerdote, mas
se torna profeta, unindo a responsabilidade litúrgica à responsabilidade de
falar a Palavra de Deus ao povo.
3-Temas centrais
(Ez.1.4)
Principais Pontos de
Estudo: O Contexto: Ezequiel foi chamado para profetizar no exílio
babilônico, um período de dor e desesperança para Israel, e precisava de uma
visão poderosa para transmitir a mensagem de Deus.
·
A Visão da Tempestade: O versículo
descreve uma "tempestade" vinda do Norte, com fogo, um brilho intenso
(âmbar/bronze) e um resplendor ao redor, representando a majestade e o poder
divino.
·
Os Seres Viventes (Querubins): Quatro
criaturas com características humanas e animais (rostos de homem, leão, boi,
águia) e asas, que se moviam com rodas cheias de olhos, sem precisar virar o
corpo, indicando onisciência e movimento divino.
·
Gênero Apocalíptico: A visão é um
exemplo de literatura apocalíptica, usando imagens fantásticas para comunicar
verdades teológicas profundas sobre o caráter de Deus e Seu juízo.
·
Significado Teológico: Simboliza:
ü A
presença soberana de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e ao cativeiro.
ü O
julgamento de Deus contra a desobediência de Israel.
ü O
poder e a ação de Deus na história.
ü Um
chamado para Ezequiel ser a voz de Deus, ecoando Sua Palavra para o
mundo.
1-Os seres viventes
(Ez.1.5)
Principais Pontos de Estudo
em Ezequiel 1:5-14:
1.
Os Seres Viventes (Querubins):
·
Aparência: Semelhantes a homens, mas
com quatro rostos (homem, leão, boi, águia) e quatro asas.
·
Movimento: Andavam para a frente,
sem virar, com as asas tocando-se e cobrindo o corpo.
·
Pés: Como os de bezerro, brilhando
como bronze polido, simbolizando andar reto e puro.
·
Mãos: Mãos de homem sob as asas,
indicando capacidade de ação.
2.
As Rodas (Ofanim):
·
Uma roda dentro da outra, cheias de olhos em
seus aros, movendo-se com os querubins, indicando a presença onisciente de
Deus.
3.
Contexto da Visão:
·
Ocorre no exílio babilônico (rio Quebar) e
introduz a glória de Deus, mostrando que Ele não está limitado a Jerusalém.
·
É uma visão teofânica (manifestação de Deus),
complexa e cheia de simbolismo, típica do gênero apocalíptico.
4.
Significado Teológico:
·
Santidade e Majestade: Os seres e
rodas representam a santidade, poder e movimento da presença de Deus.
·
Chamado Profético: A visão prepara
Ezequiel para sua missão de levar a palavra de Deus ao povo em desespero.
·
Deus em Todo Lugar: Mesmo no exílio,
Deus é glorioso e presente.
v
Quatro Rostos: Os seres possuíam faces de homem, leão, boi (ou touro)
e águia. Tradicionalmente, esses rostos representam diferentes atributos ou
aspectos da soberania e glória de Deus, ou, em algumas interpretações cristãs, os
quatro Evangelhos: Homem: Simboliza inteligência, sabedoria e a imagem
moral de Deus.
v
Leão: Representa
majestade, força e realeza (Cristo como Rei).
v
Boi/Touro:
Simboliza força, serviço e sacrifício (Cristo como Servo sofredor).
v
Águia: Representa
soberania, natureza divina, visão celestial e rapidez de ação (Cristo como
Deus).
v
Em conjunto, a
combinação de rostos pode abranger todos os atributos que Deus possui,
mostrando Sua onipresença e onisciência (tinham olhos por todo o corpo em
outras descrições, como em Ezequiel 10).
1.
Quatro Asas: As asas indicam mobilidade e a capacidade de realizar
a vontade de Deus de forma rápida e eficiente.
2.
Na visão, duas asas tocavam as dos seres ao
lado (sugerindo unidade e cooperação), e as outras duas cobriam o corpo
(sugerindo reverência e humildade diante da glória de Deus).
Principais pontos de estudo em Ezequiel 1:26:
v O Trono de Safira: Simboliza a realeza e
santidade de Deus, usando uma pedra preciosa associada ao céu e à
pureza, como visto em Êxodo 24:10.
v A Figura Humana: Uma semelhança de um homem sobre
o trono, com aparência de fogo e um resplendor ao redor, revelando a glória de
Deus de forma visível, embora ainda envolta em mistério e poder, segundo a Nova Versão Internacional e outras fontes.
v Contexto da Visão: Faz parte de uma narrativa
apocalíptica complexa (querubins, rodas, etc.) que busca expressar a majestade
de Deus e a Sua presença no meio do exílio, conforme relatos como os do Canal da CNBB e YouTube.
v Simbolismo: A visão descreve a glória do Senhor,
com o arco-íris (sinal de aliança) e o fogo (purificação e poder), demonstrando
a presença de Deus em meio à Sua criação e julgamento, como explicado em vários
estudos bíblicos.
1-A presença de Deus (Ez.1.26)
1.
Ezequiel 1:26- Vê Deus sentado num Trono, na semelhança de um homem.
2.
Esta visão- Mostra que quando Deus resolve revelar-se plenamente,
Ele o faz em forma humana- mediante Jesus Cristo (cf: Fp.2.5-7)
3.
Descreve a
visão da glória de Deus, focando no trono celestial: uma estrutura semelhante a um trono de
safira.
4.
Sobre o firmamento, e uma figura humana (representação
de Deus) sobre ele, com brilho de fogo e resplendor,
semelhante ao arco-íris, simbolizando a presença e a majestade divina.
5.
Estudos destacam
o caráter apocalíptico da visão, a complexidade dos
elementos (querubins, rodas, trono) como tentativa humana de
descrever o indescritível, e a profunda experiência de Deus que
levou Ezequiel à prostração
Estudos e Interpretações de Ezequiel 1:28a
·
Aparência do
Arco-Íris: A visão da glória de Deus é comparada ao
"aspecto do arco que aparece nas nuvens em dia de chuva".
·
O arco-íris, na
teologia bíblica, remete diretamente à aliança de Deus com Noé (Gênesis 9),
sendo um sinal visível e notável da promessa divina de que Ele não destruiria a
terra novamente por meio de um dilúvio.
·
Simbolismo da
Aliança e Misericórdia: No
contexto de Ezequiel, que profetiza em meio ao exílio babilônico e ao
julgamento iminente sobre Judá, o arco-íris serve como um poderoso símbolo
de esperança e fidelidade divina.
·
Ele aparece após a
"tempestade" da manifestação da glória e do juízo de Deus,
indicando que, mesmo no meio da disciplina, a misericórdia e as promessas de
Deus permanecem firmes.
·
Glória
Indescritível: A descrição da
glória de Deus utiliza linguagem simbólica e imagens para descrever o
indescritível. Ezequiel usa o arco-íris como uma analogia visual para a luz
e o resplendor ao redor do trono de Deus, reconhecendo a majestade e a
transcendência divinas que vão além da compreensão humana.
·
Reação
Humana: O versículo 28 continua
com a reação de Ezequiel: "Ao ver isto, caí com o rosto em
terra".
·
Essa prostração demonstra um profundo temor,
reverência e adoração diante da magnitude da presença e da santidade de Deus.
·
Contexto da
Visão: A visão de Ezequiel, em
seu primeiro capítulo, é uma teofania (manifestação visível de Deus)
que ocorreu junto ao rio Quebar, na Babilônia, para mostrar aos exilados que
Deus estava presente com eles, em qualquer lugar, e que ainda tinha um plano de
restauração para Seu povo, apesar da destruição do templo em Jerusalém.
Estudos e Análises do Versículo
·
Reverência e
Temor: A reação imediata de
Ezequiel — prostrar-se com o rosto em terra — demonstra um profundo senso de
humildade, reverência e temor diante da majestade e santidade de Deus. Essa é
uma resposta comum na Bíblia quando humanos se deparam com a glória divina
(outros exemplos incluem Pedro em Lucas 5:8 e João em Apocalipse 1:17).
·
Reconhecimento
da Glória Divina: A visão
descrita no capítulo 1, com seus detalhes simbólicos (quatro seres viventes,
rodas, o firmamento e o trono), serve para ilustrar a indescritível glória e
soberania de Deus. Ezequiel reconhece que está na presença do próprio Senhor, o
que o leva a essa postura de submissão total.
·
Preparação para
o Chamado: A experiência da
glória de Deus e a subsequente prostração de Ezequiel são um prelúdio
necessário para o seu chamado profético. Ver a Deus em Sua majestade ajuda o
profeta a apreciar o caráter divino e a se preparar para a difícil tarefa de
pregar a uma "casa rebelde de Israel".
·
Ouvir a Voz de
Deus: A parte final do versículo
("e ouvi a voz de quem falava") é crucial. Somente após a humilhação
e a reverência diante da glória de Deus é que Ezequiel está pronto para receber
a palavra e a missão divinas. Isso sugere que uma perspectiva correta de Deus é
fundamental para a obediência e para o ministério.
Pr. Capl. Carlos Borges (CABB