domingo, 4 de janeiro de 2026

O LIVRO DE EZEQUIEL E SUA VSÃO INAUGURAL

 


Ez.1.1-14, 26-28

Introdução: Nada se sabe da sua vida à parte daquilo que é contido no livro que leva seu nome, nem existe tradição alguma que nos diga onde ou como morreu. Sabemos que era casado, e que sua esposa morreu na ocasião da queda de Jerusalém (24:18).

 I O LIVRO

1-Estilo e contexto histórico (Ez.1.1

Pontos-chave dos estudos:

1.      Contexto Histórico: Ezequiel, um sacerdote, estava no exílio em Babilônia (junto ao rio Quebar) quando recebeu a visão, no quinto ano do cativeiro de Joaquim (cerca de 593 a.C.).

2.      Propósito da Visão: Revelar que Deus não estava restrito ao Templo em Jerusalém, mas podia manifestar Sua glória e presença onde Seu povo estivesse, mesmo no exílio, trazendo uma mensagem de esperança e de julgamento.

3.      Natureza da Visão (Teofania): Uma manifestação sobrenatural da presença e glória de Deus, usando linguagem simbólica e figuras impressionantes para descrever o indescritível.

4.      Símbolos Centrais: Os Quatro Seres Viventes (Querubins): Aparência humana com quatro rostos (homem, leão, boi, águia) e quatro asas, representando poder, inteligência e mobilidade divina.

5.      As Rodas (Ophanim): Rodas dentro de rodas, cheias de olhos, que se moviam com os querubins, simbolizando o conhecimento e a onipresença de Deus.

6.      O Trono e a Figura Humana: Uma figura semelhante a um homem sobre um trono de safira, cercada por fogo e um resplendor como o arco-íris, representando a majestade e a glória de Deus.

7.      Impacto no Profeta: Ezequiel ficou tão maravilhado e atemorizado que caiu com o rosto em terra, sentindo o poder do Espírito Santo.

8.      Gênero Apocalíptico: A visão se encaixa no gênero apocalíptico, comum em Ezequiel, Daniel e Apocalipse, caracterizado por imagens fantásticas e simbólicas para revelar verdades divinas. 

9.      Esses estudos enfatizam que, apesar da dificuldade em interpretar cada detalhe, a mensagem principal é a grandiosidade de Deus e Seu chamado para Ezequiel ser um mensageiro fiel em tempos difíceis. 

 

2-O objetivo (Ez.1.3)

Pontos Chave de Ezequiel 1:3:

·        "Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote": Indica uma comunicação direta e específica de Deus, não uma interpretação, a um sacerdote, mostrando a seriedade do chamado.

·        "Na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar": Situa o evento no exílio babilônico, um local de desgraça para os israelitas, destacando que Deus fala mesmo em lugares de sofrimento e desespero.

·        "E ali esteve sobre ele a mão do Senhor": Sinaliza o poder e a autoridade de Deus agindo sobre Ezequiel, preparando-o para a tarefa profética, uma experiência de poder divino. 

Temas para Estudo:

1.      Vocação Profética: Ezequiel 1-3 detalha o chamado, onde Deus o capacita a ser um atalaia, um alerta para um povo rebelde.

2.      O Contexto do Exílio: O livro começa com o povo em desespero, e a missão de Ezequiel é levar a Palavra de Deus nesse cenário de dor, desafiando-os ao arrependimento.

3.      A Mão do Senhor: O toque de Deus não é para conforto, mas para capacitar e impulsionar o profeta a uma tarefa árdua, como visto nos capítulos seguintes.

4.      A Glória de Deus: O verso introduz a visão da glória de Deus que se manifesta, abrindo caminho para as complexas visões dos seres viventes e do trono.

5.      Sacerdote e Profeta: Ezequiel era sacerdote, mas se torna profeta, unindo a responsabilidade litúrgica à responsabilidade de falar a Palavra de Deus ao povo. 

3-Temas centrais (Ez.1.4)

Principais Pontos de Estudo: O Contexto: Ezequiel foi chamado para profetizar no exílio babilônico, um período de dor e desesperança para Israel, e precisava de uma visão poderosa para transmitir a mensagem de Deus.

·        A Visão da Tempestade: O versículo descreve uma "tempestade" vinda do Norte, com fogo, um brilho intenso (âmbar/bronze) e um resplendor ao redor, representando a majestade e o poder divino.

·        Os Seres Viventes (Querubins): Quatro criaturas com características humanas e animais (rostos de homem, leão, boi, águia) e asas, que se moviam com rodas cheias de olhos, sem precisar virar o corpo, indicando onisciência e movimento divino.

·        Gênero Apocalíptico: A visão é um exemplo de literatura apocalíptica, usando imagens fantásticas para comunicar verdades teológicas profundas sobre o caráter de Deus e Seu juízo.

·        Significado Teológico: Simboliza:

ü  A presença soberana de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e ao cativeiro.

ü  O julgamento de Deus contra a desobediência de Israel.

ü  O poder e a ação de Deus na história.

ü  Um chamado para Ezequiel ser a voz de Deus, ecoando Sua Palavra para o mundo. 

 II A VISÃO DA GLÓRIA DE DEUS

1-Os seres viventes (Ez.1.5)

Principais Pontos de Estudo em Ezequiel 1:5-14:

1.      Os Seres Viventes (Querubins):

·        Aparência: Semelhantes a homens, mas com quatro rostos (homem, leão, boi, águia) e quatro asas.

·        Movimento: Andavam para a frente, sem virar, com as asas tocando-se e cobrindo o corpo.

·        Pés: Como os de bezerro, brilhando como bronze polido, simbolizando andar reto e puro.

·        Mãos: Mãos de homem sob as asas, indicando capacidade de ação.

2.      As Rodas (Ofanim):

·        Uma roda dentro da outra, cheias de olhos em seus aros, movendo-se com os querubins, indicando a presença onisciente de Deus.

3.      Contexto da Visão:

·        Ocorre no exílio babilônico (rio Quebar) e introduz a glória de Deus, mostrando que Ele não está limitado a Jerusalém.

·        É uma visão teofânica (manifestação de Deus), complexa e cheia de simbolismo, típica do gênero apocalíptico.

4.      Significado Teológico:

·        Santidade e Majestade: Os seres e rodas representam a santidade, poder e movimento da presença de Deus.

·        Chamado Profético: A visão prepara Ezequiel para sua missão de levar a palavra de Deus ao povo em desespero.

·        Deus em Todo Lugar: Mesmo no exílio, Deus é glorioso e presente. 

 2-As rodas (Ez.1.16)

v  Quatro Rostos: Os seres possuíam faces de homem, leão, boi (ou touro) e águia. Tradicionalmente, esses rostos representam diferentes atributos ou aspectos da soberania e glória de Deus, ou, em algumas interpretações cristãs, os quatro Evangelhos: Homem: Simboliza inteligência, sabedoria e a imagem moral de Deus.

v  Leão: Representa majestade, força e realeza (Cristo como Rei).

v  Boi/Touro: Simboliza força, serviço e sacrifício (Cristo como Servo sofredor).

v  Águia: Representa soberania, natureza divina, visão celestial e rapidez de ação (Cristo como Deus).

v  Em conjunto, a combinação de rostos pode abranger todos os atributos que Deus possui, mostrando Sua onipresença e onisciência (tinham olhos por todo o corpo em outras descrições, como em Ezequiel 10).

1.       Quatro Asas: As asas indicam mobilidade e a capacidade de realizar a vontade de Deus de forma rápida e eficiente.

2.        Na visão, duas asas tocavam as dos seres ao lado (sugerindo unidade e cooperação), e as outras duas cobriam o corpo (sugerindo reverência e humildade diante da glória de Deus).

 3-O firmamento e o trono (Ez,1.26)

Principais pontos de estudo em Ezequiel 1:26:

v  O Trono de Safira: Simboliza a realeza e santidade de Deus, usando uma pedra preciosa associada ao céu e à pureza, como visto em Êxodo 24:10.

v  A Figura Humana: Uma semelhança de um homem sobre o trono, com aparência de fogo e um resplendor ao redor, revelando a glória de Deus de forma visível, embora ainda envolta em mistério e poder, segundo a Nova Versão Internacional e outras fontes.

v  Contexto da Visão: Faz parte de uma narrativa apocalíptica complexa (querubins, rodas, etc.) que busca expressar a majestade de Deus e a Sua presença no meio do exílio, conforme relatos como os do Canal da CNBB e YouTube.

v  Simbolismo: A visão descreve a glória do Senhor, com o arco-íris (sinal de aliança) e o fogo (purificação e poder), demonstrando a presença de Deus em meio à Sua criação e julgamento, como explicado em vários estudos bíblicos. 

 III OS SIGNIFICADOS  DA VISÃO

1-A presença de Deus (Ez.1.26)

1.       Ezequiel 1:26- Vê Deus sentado num Trono, na semelhança de um homem.

2.       Esta visão- Mostra que quando Deus resolve revelar-se plenamente, Ele o faz em forma humana- mediante Jesus Cristo (cf: Fp.2.5-7)

3.       Descreve a visão da glória de Deus, focando no trono celestial: uma estrutura semelhante a um trono de safira.

4.       Sobre o firmamento, e uma figura humana (representação de Deus) sobre ele, com brilho de fogo e resplendor, semelhante ao arco-íris, simbolizando a presença e a majestade divina. 

5.       Estudos destacam o caráter apocalíptico da visão, a complexidade dos elementos (querubins, rodas, trono) como tentativa humana de descrever o indescritível, e a profunda experiência de Deus que levou Ezequiel à prostração

 2-A Gloria de Deus (Ez.1.28a)

Estudos e Interpretações de Ezequiel 1:28a

·        Aparência do Arco-Íris: A visão da glória de Deus é comparada ao "aspecto do arco que aparece nas nuvens em dia de chuva".

·        O arco-íris, na teologia bíblica, remete diretamente à aliança de Deus com Noé (Gênesis 9), sendo um sinal visível e notável da promessa divina de que Ele não destruiria a terra novamente por meio de um dilúvio.

·        Simbolismo da Aliança e Misericórdia: No contexto de Ezequiel, que profetiza em meio ao exílio babilônico e ao julgamento iminente sobre Judá, o arco-íris serve como um poderoso símbolo de esperança e fidelidade divina.

·        Ele aparece após a "tempestade" da manifestação da glória e do juízo de Deus, indicando que, mesmo no meio da disciplina, a misericórdia e as promessas de Deus permanecem firmes.

·        Glória Indescritível: A descrição da glória de Deus utiliza linguagem simbólica e imagens para descrever o indescritível. Ezequiel usa o arco-íris como uma analogia visual para a luz e o resplendor ao redor do trono de Deus, reconhecendo a majestade e a transcendência divinas que vão além da compreensão humana.

·        Reação Humana: O versículo 28 continua com a reação de Ezequiel: "Ao ver isto, caí com o rosto em terra".

·         Essa prostração demonstra um profundo temor, reverência e adoração diante da magnitude da presença e da santidade de Deus.

·        Contexto da Visão: A visão de Ezequiel, em seu primeiro capítulo, é uma teofania (manifestação visível de Deus) que ocorreu junto ao rio Quebar, na Babilônia, para mostrar aos exilados que Deus estava presente com eles, em qualquer lugar, e que ainda tinha um plano de restauração para Seu povo, apesar da destruição do templo em Jerusalém. 

 3-A soberania de Deus (Ez.1.28b)

Estudos e Análises do Versículo

·        Reverência e Temor: A reação imediata de Ezequiel — prostrar-se com o rosto em terra — demonstra um profundo senso de humildade, reverência e temor diante da majestade e santidade de Deus. Essa é uma resposta comum na Bíblia quando humanos se deparam com a glória divina (outros exemplos incluem Pedro em Lucas 5:8 e João em Apocalipse 1:17).

·        Reconhecimento da Glória Divina: A visão descrita no capítulo 1, com seus detalhes simbólicos (quatro seres viventes, rodas, o firmamento e o trono), serve para ilustrar a indescritível glória e soberania de Deus. Ezequiel reconhece que está na presença do próprio Senhor, o que o leva a essa postura de submissão total.

·        Preparação para o Chamado: A experiência da glória de Deus e a subsequente prostração de Ezequiel são um prelúdio necessário para o seu chamado profético. Ver a Deus em Sua majestade ajuda o profeta a apreciar o caráter divino e a se preparar para a difícil tarefa de pregar a uma "casa rebelde de Israel".

·        Ouvir a Voz de Deus: A parte final do versículo ("e ouvi a voz de quem falava") é crucial. Somente após a humilhação e a reverência diante da glória de Deus é que Ezequiel está pronto para receber a palavra e a missão divinas. Isso sugere que uma perspectiva correta de Deus é fundamental para a obediência e para o ministério. 

Pr. Capl. Carlos Borges (CABB


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