domingo, 24 de março de 2013

A CONVERSÃO DE PAULO



Esboço da Lição nº9 do 1º trimestre de 2011
A CONVERSÃO DE PAULO
At.9.1-9

Introdução:Paulo assume um lugar de grande  importância, depois de Jesus ele foi escolhido como um vaso para a ministração do  evangelho aos gentios.Pesa sobre os ombros de Paulo uma grande missão, a divulgação do Evangelho entre as nações (povos) não judeus.Ele escreveu vários livros(epistolas) no Novo Testamento.

I  SAULO DE TARSO
·         Paulo  nasceu em Tarso capital da Cilícia,  província  a sudoeste da Ásia Menor(Moderna Turquia). Ficava cerca de 480Km ao norte de Jerusalém, situada às margens do Rio Codno, a 16 Km ao norte da costa do Mar Mediterrâneo.
·         Durante o período selêucida, entretanto, Tarso tornou-se uma cidade livre(em 170 a.C) e  abriu-se  para a cultura e educação grega no tempo dos romanos.
·         Tarso  era uma famosa cidade universitária, só  ultrapassada  em fama  e oportunidades de educação e cultura  por Antenas e Alexandria como centro educacional do mundo.
·         Paulo viveu seus primeiros anos em Tarso, e lá esteve após sua conversão ao cristianismo.
·         Paulo era de uma família benjamita, que apesar de viver na diáspora, era fiel à tradição(Fp 3.5).
·         Paulo teve uma boa formação cultural(conhecimento humano) e religioso (espiritual),e provou ser hábil para  atuar como apóstolo dos gentios.

1-Formação cultural

·         Paulo foi instruído aos pés de Gamaliel, um rabino  muito revenerado naquela época.Gamaliel era muito conhecido e respeitado como profundo conhecer e especialista  em lei religiosa e como voz de  moderação(At 5.34).
·         Aos pés de Gamaliel, Paulo tinha sido instruído conforme a verdade da lei do País(Israel),aprendendo a seguir  as leis  e os costumes judeus com muita atenção.
·         Os fariseus( era um grupo do conselho) eram famosos pela rigorosa observância  dos detalhes  mais minuciosos da lei(Mt 23).
·         Paulo era integrante  do partido religioso mais conceituado do judaísmo –Os fariseus(AT 26.5).
·         Ele conhecia  profundamente  e intimamente o Antigo Testamento(Rm 1.17;3.4,5, 10-18; 9.6-33), as  tradições  de seu povo(At 26.;28.17,18;Gl 1.13-14) e a língua  hebraica(At 22.1,2).
·         Por ser tão bem versado(instruído) no meio religioso de Israel, Paulo recebeu  dos principais sacerdotes,autorização para perseguir e prender os cristãos,discípulos de Jesus(At.26.10).
·         Paulo era tão fanático, tão demasiadamente enfurecido com aqueles  que conheciam a Cristo,que os perseguia até em cidades estranhas de terras distantes, com isso ele levou sua campanha de terror à estrada, rumo a Damasco.
·         Paulo possivelmente  tenha cursado a Universidade de Tarso,pois tinha amplo domínio da língua grega e de outros clássicos, dois deles e mencionado por Paulo Arato(poeta estóico da Cilícia 315-240 a. C) e Epimênindes(Poeta cretense 600 a.C)(At17.28)
·         Sendo também cidadão romano, provavelmente falava latim.

2-Paulo cidadão romano

·         Paulo tornou-se cidadão romano,porque nasceu na Cilícia(AT 9.11);21.39 ;Gl 1.21),pois a Cilícia era  uma província romana(At 22.25-29).
·         A nacionalidade romana  era adquirida de 3(três) maneiras:
1.       Por direito de nascimento( e o caso de Paulo)
2.       Por concessão imperial
3.       E por aquisição pecuniária,pagamento em dinheiro(At 22.28).
·         Apesar de conhecer seus direitos de cidadão romano,para Paulo era mais importante ter a cidadania  celestial do que os privilégios concedidos pelos homens.

Ev. Carlos Borges(CABB)



II ACONVERSÃO DE PAULO
1-O encontro com Jesus

·         De posse da autorização para perseguir os cristãos,Paulo parte para Damasco,fins levar avante seu objetivo – prender os cristãos.
·         Damasco era a capital da Síria(Is 7.8),localizada a nordeste do Mar da Galiléia, situava-se  na fronteira do deserto, no ponto de intercessão de algumas das mais importantes estradas do mundo, no Antigo Oriente Próximo.
·         Próximo a Damasco Paulo e seus companheiros são envolvidos por uma intensa luz vinda do céu, que Paulo não conseguiu suportar, e cai por terra juntamente com seus companheiros. 
·         Todos caem e ouvem uma voz, e uma luz, porém somente Paulo compreende a voz, que era Jesus que se deu a  conhecer a Paulo falando  com ele em hebraico.(At 26.14,15),os demais não entenderam a mensagem.
·         Jesus então confronta Paulo (At9.5 ; 22.7;26.14,15) e o comissiona a levar o Evangelho tanto aos filhos de Israel como aos gentios(At 26.16-18).
·         Paulo é orientado a seguir viagem até Damasco, onde iria receber  novas instruções.(At 9.8; 22.11).
·         Paulo, ficou temporariamente cego, por esta revelação,sendo assim os seus companheiros o guiaram pela mão até Damasco. O jejum de 3 dias ( não comeu nem bebeu) deve –se ao fato de Paulo estar chocado, enquanto refletia sobre o profundo  significado e importância dessa experiência.(At 9.9).

2-Ananias visita Paulo

·         Ananias é então orientado pelo Senhor em uma visão a fazer uma visita a Paulo, que morava na casa de Judas, na rua Direita.
·         Ananias era um homem muito piedoso e justo, que morava em Damasco.
·         Ananias ao chegar naquela casa, deveria perguntar por um homem  de Tarso chamado Paulo.
·         No mesmo instante que Ananias tinha a visão,Paulo estava orando ao Senhor, e, em visão via Ananias chegando ao seu aposento lhe impondo as mãos e curava sua cegueira(caindo as escamas dos olhos)(At9.10-12; 22.12).

3-Saulo, de perseguidor a perseguido

·         Uma vez transformado pela conversão,Paulo buscou congregar-se com os irmãos em Damasco(At 9.19).
·         As ações de Ananias satisfizeram pelo menos dois objetivos.
·         Ele teve um papel quase profético, servindo como o porta- voz confirmador de Deus na comissão do grande apóstolo.
·         A sua visita serviu como um ministério de incentivo pessoal.
·         Saulo deve ter se sentido encorajado quando ouviu Ananias saudá-lo como um irmão.
·         Ananias disse a Saulo que Jesus o tinha enviado para que Saulo tornasse a ver e fosse  cheio do Espírito Santo.
·         Paulo supostamente foi batizado por Ananias,e concluiu o seu jejum de três dias.
·         A mudança em Saulo fez com que os seus ouvintes ficassem atônitos.
·         Os judeus ficaram perturbados  com a conversão de Paulo, e planejaram matá-lo(At 9.23).
·         O argumento de Saulo a partir das Escrituras  atestando Jesus como o Cristo foi tão  poderoso,que os judeus tomaram  conselho  entre si  para o matar.
·         Eles contavam com a cooperação e apoio do governador de Damasco e até mesmo do rei Aretas IV, da Arábia,que reinou  entre 9 a.C até 40 a.C.

III PROPOSITOS DA VOCAÇÃO DE PAULO

1-Conhecer a vontade de Deus  
   
·         Paulo precisou conhecer qual era realmente a vontade de Deus concernente a Israel, a igreja e o mundo(At22.14,15).
·         Ananias deixou bem claro  que os eventos  sobrenaturais que estavam sendo vividos por Paulo eram obras  soberana do Deus de nossos pais.
·         Ao se opor fanaticamente a Jesus e seus seguidores,Paulo imaginava  que estava servindo e honrando o Deus de Abraão,Isaque e Jacó.
·         Com os relatos de Ananias, ele descobriu a verdade, o Deus dos hebreus – longe de estar levando Paulo a combater o cristianismo, pelo contrário, o estava escolhendo-o para se tornar o principal porta-voz dessa fé.
·         Paulo haveria de ser sua testemunha para com todos os homens do que tinha visto e ouvido.


2-Tornar-se  ministro e testemunha de Jesus

·         Consciente  de sua vocação, Paulo põe-se a testemunhar  de Cristo não somente diante dos gentios, mas também perante Israel.
·         Parecia uma ironia, um judeu fanático e contrario aos gentios, tornar-se uma testemunha escolhida para levar o nome de Deus diante dos gentios,dos reis e dos filhos de Israel.
·         Paulo deveria ser o destinatário de uma grande  parte da “luz” de Deus, tanto para os judeus como para os gentios.
·         Paulo também deveria  oferecer aos gentios um lugar entre os santificados.

3-Sofrer a favor de Cristo e do Evangelho 
·         O que perseguia a igreja, agora ver-se perseguido por causa do mesmo nome.
·         Paulo faz um relato dos seus sofrimentos, não por orgulho ou vanglória, mas para a honra de Deus.
·         Esses sofrimentos o aprimoraram a levar a bom termo sua missão.
·         Paulo experimentou as mesmas chicotadas, os insultos,perseguições,ofensas, prisões, abandono,fome, mas foi vencedor, não desonrou a Cristo, mas o glorificou no seu modo de ser.

quinta-feira, 21 de março de 2013

PERSEVERANDO A DOUTRINA - A MISSÃO CONSERVADORA DA IGREJA PARTE 3


pessoas a quem deu os dons ministeriais (Ef.4:11-16), a fim de que os salvos possam se tornar verdadeiros e genuínos discípulos do Senhor Jesus e cresçam espiritualmente, formando Cristo em cada um deles (Gl.4:19).

- A segunda vez que vemos a palavra doutrina nas Versões Almeida é em Jó 11:4 (é importante lembrarmos que Jó seja, talvez, o livro mais antigo da Bíblia e, portanto, a sua referência seria anterior mesmo a de Dt.32:2), que é a mesma palavra “leqach” já mencionada. Aqui, um dos “amigos” de Jó, Zofar, acusa Jó de dizer que a “sua” doutrina era pura e que ele se sentia limpo aos olhos de Deus. A palavra “doutrina”, aliás, também é empregada pela Tradução Brasileira, pela Nova Tradução na Linguagem de Hoje e pela Nova Versão Internacional. Temos o mesmo significado do texto anterior. Embora se esteja a referir a um conjunto de ensinos de Jó, Zofar está a considerar que o patriarca é presunçoso ao querer dizer que seus ensinos são provenientes da parte de Deus. Doutrina continua a ser considerada como um ensino vindo da parte de Deus, um ensinamento com origem no céu.

- Dentro deste sentido, vemos que a doutrina não é algo que venha da Igreja, mas algo recebido do céu para a Igreja. A Igreja é apenas a guardiã, ou seja, a instituição destinada a guardar os ensinos divinos e a divulgá-los para os homens. Não é a Igreja quem cria doutrinas, mas ela apenas transmite aquilo que foi ensinado pelo Senhor Jesus e que é constantemente lembrado e anunciado pelo Espírito Santo ao povo de Deus (Jo.14:26; 16:13-15).

- Isto se torna ainda mais evidente quando vamos ao Novo Testamento e ali observamos que a palavra grega “didaché”, que é a palavra grega para “doutrina”, possui um significado passivo, ou seja, em muitas ocasiões seu significado é “o que é ensinado”, como a demonstrar que a “doutrina” não é algo que seja criação humana, mas, sim, algo que é recebido pelo homem da parte de Deus. A “doutrina”, portanto, não é algo que venha da imaginação ou da mentalidade de um homem, mas, sim, única e exclusivamente aquilo que tem origem em Deus. Não foi à toa que, no mesmo evangelho segundo Mateus, vemos a expressão esclarecedora do Senhor: “aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt.11:29b).

- Este é o mesmo significado que encontramos nos outros dois evangelhos sinóticos. Em Marcos e em Lucas, a doutrina é apresentada como o conjunto de ensinamentos de Cristo, ensinamentos estes que causavam admiração por parte do povo, que também sentia que era um ensino que vinha de quem tinha autoridade, ou seja, de quem vivia aquilo que ensinava (Mc.1:27; 4:2; 11:18; Lc.4:32).

- Não é diferente no evangelho segundo João. Neste evangelho, escrito para mostrar que Jesus é o Filho de Deus, está uma das mais importantes afirmações bíblicas a respeito da doutrina. Interpelado sobre Seus ensinos, o Senhor Jesus limitou-se a dizer: “…A Minha doutrina não é Minha, mas dAquele que Me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se Eu falo de Mim mesmo.” (Jo.7:16,17).

- Jesus mostra-nos, claramente, que a Sua doutrina outra não era senão a doutrina do Pai. A doutrina não fala do próprio doutrinador, mas, sim, de Deus e somente quem vivenciar a doutrina, quem nela crer e por ela viver, verá que esta doutrina é a verdade, que esta doutrina é a vontade de Deus. A doutrina é a manifestação da vontade de Deus para o homem. Seguir a doutrina é seguir a vontade de Deus para o homem e é por isso que muitos se têm levantado contra a doutrina, porque ela implica na renúncia do eu, na renúncia do ego, na renúncia de nós mesmos, sem o que é impossível seguir a Jesus (Mt.16:24). Daí porque Jesus foi interrogado pelo sumo sacerdote a respeito de Sua doutrina (Jo.18:19).

- Se temos a doutrina de Cristo, se a seguimos, não podemos, portanto, ser diferentes. A doutrina tem de ser a mesma e, neste passo, os doutrinadores não podem querer aparecer ou dizer o que é certo ou o que é errado, como muitos têm feito e já o faziam nos tempos apostólicos, onde já se registravam doutrinas de homens (Mt.15:9; Mc.7:7; Cl.2:22) e até doutrinas de demônios (I Tm.4:1). Devemos permanecer na doutrina de Cristo, pois quem não persevera nesta doutrina não tem a Deus (II Jo.9).

- Assim como Jó, a Igreja deve reconhecer que os ensinos provêm de Deus e que, portanto, não podemos alterá-los nem tampouco deles nos apropriarmos a ponto de gerarmos novas doutrinas, novos ensinos. É completamente equivocado o ensino de que a Igreja possui um “Magistério” e é capaz de gerar uma “tradição” que tem o mesmo valor da Palavra de Deus, como defendem os romanistas e os ortodoxos. Como grupo social, não há como deixar de verificar que as igrejas locais criam costumes e tradições, que, para não gerar escândalo nem tropeços na vida espiritual dos seus integrantes, devem ser observados. No entanto, tais costumes e tradições jamais podem se equiparar à Palavra de Deus, que é a sã doutrina, o único fundamento da Igreja, que nunca pode ser removido (I Co.3:11). A Igreja é a coluna e firmeza da verdade, tem a missão de sustentar e se manter na verdade, mas não é a Verdade, que é somente Cristo Jesus, seu Sumo Pastor.

- Um dos grandes erros do povo de Israel foi edificar um conjunto de tradições e de normas que sufocaram a Palavra de Deus (Mt.15:1-20). Jesus censurou os judeus por causa deste comportamento, comportamento este que, lamentavelmente, também se imiscuiu no meio daqueles que cristãos se dizem ser, a ponto de vários segmentos da denominada Cristandade hoje terem erigido as suas tradições e costumes ao mesmo nível da Palavra de Deus, quando não acima da própria Palavra. Tal comportamento é exatamente o oposto do que o Senhor exige da Sua Igreja, que é o de sustentar, acima de tudo o que há, a Palavra de Deus, a exemplo do que faz o próprio Deus (Sl.138:2).

- Em Pv.13:14, na Versão Almeida Revista e Corrigida bem como na Almeida Fiel e Corrigida, a palavra “doutrina” é utilizada para traduzir “torah”(תדח), palavra que é comumente traduzida por “lei”, mas cujo significado é mais precisamente “instrução”, “ensino”. Aqui se diz que “a doutrina do sábio” é fonte de vida para se desviar dos laços da morte. A doutrina do sábio não é, propriamente, do sábio, pois, como nos ensina o próprio proverbista, o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv.9:10), no que é acompanhado pelo salmista (Sl.111:10). Portanto, a “doutrina do sábio” outra não é senão a Palavra de Deus e só ela é capaz de dar origem à vida e nos desviar dos laços da morte. A doutrina, como se vê, portanto, é o próprio fator criador da vida espiritual e da sua manutenção até o fim.

OBS: A propósito, ensina-nos Nathan Ausubel que a Bíblia, para os judeus, no seu sentido singular de Torah, “…tem sido considerada pelos fiéis como redentora, quando entendida como forma total de vida…” (AUSUBEL, Nathan. Bíblia. In: A JUDAICA, v.5, p.77).

- Jesus, certa feita, disse que tinha vindo para trazer vida e vida em abundância (Jô.10:10). Disse, também, que Ele próprio era a vida(Jo.14:6), bem como o pão da vida(Jo.6:48). Ao Se 

Ev. Carlos Borges(CABB)

quarta-feira, 20 de março de 2013

PERSEVERANDO A DOUTRINA - A MISSÃO CONSERVADORA DA IGREJA - PARTE 1



PRESERVANDO  A  DOUTRINA - A MISSÃO  CONSERVADORA  DA  IGREJA

À Igreja cabe a proclamação, a sustentação e a defesa da sã doutrina entre os homens.

INTRODUÇÃO

- Paulo denomina a Igreja de “coluna e firmeza da verdade” (I Tm.3:15). Como corpo de Cristo, que é a Verdade (Jo.14:6), a Igreja é a única instituição sobre a face da Terra que pode viver a verdade e, por isso, sustentá-la e defendê-la num mundo que vive enganado pelo pai da mentira.

- Como guardiã da verdade e se santificando nela (Jo.17:17), a Igreja tem a difícil tarefa de proclamar, sustentar e defender a sã doutrina, a Palavra de Deus. Lamentavelmente, porém, nos dias de apostasia em que vivemos, cada vez mais notamos o abandono da verdade por milhares de sedizentes cristãos.

I – O QUE É DOUTRINA E O SEU PAPEL NA IGREJA

- Doutrina é palavra de origem latina, cujo significado é “conjunto coerente de idéias fundamentais a serem transmitidas, ensinadas”. Em latim, “doctrina” significa “ensino, instrução dada ou recebida, arte, ciência, doutrina, teoria, método”. Assim, a doutrina é um ensinamento, uma instrução que alguém dá a outrem. Aliás, a palavra “doctrina” é derivada de “docere”, que significa ensinar. Doutrina, portanto, é um ensinamento, um ensino, uma instrução que alguém que sabe (o sábio ou “doutor”) dá a alguém que não sabe (o aprendiz).

- Vemos, portanto, pelo seu significado latino, que “doutrina” significa ensino e, portanto, quando falamos em “doutrina bíblica” estamos a falar no “ensino da Bíblia”. Ora, a Bíblia é a Palavra de Deus e, portanto, o “ensino da Bíblia” nada mais é que o ensino da Palavra de Deus, o ensino de Deus ao homem. “Doutrina”, portanto, é o ensino que Deus dá ao homem a partir da Sua Palavra, da revelação divina à humanidade, que consta da Bíblia Sagrada.

- Ora, se a doutrina é a Palavra de Deus e esta Palavra, como nos ensinou Jesus, é a Verdade (Jo.17:17), quando o apóstolo Paulo denomina a Igreja de “coluna e firmeza da verdade”(I Tm.3:15), está a dizer que a Igreja é a “coluna e firmeza da doutrina”, ou seja, cabe à Igreja sustentar e manter a doutrina, a Palavra de Deus.

- A primeira vez que surge a palavra “doutrina” nas Versões Almeida (Revista, Corrigida, Fiel e Contemporânea) é em Dt.32:2, onde, no cântico de Moisés, consta a expressão “goteje a minha doutrina”, palavra que é a tradução de “leqach”(לקח), cujo significado é “ensino”, “instrução”, tanto que a palavra é traduzida por “ensino” em outras versões bíblicas (como a Tradução Brasileira, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje e a Nova Versão Internacional). Neste primeiro aparecimento da palavra, ainda que em um contexto poético, percebe-se claramente que Moisés considera que todos os ensinos que havia dado ao povo de Israel, ensinos estes que eram resultado da revelação divina ao próprio Moisés, constituíam ensinos que deveriam ser continuamente ministrados ao povo e que representavam para este povo a sua própria fonte de vida, a sua própria renovação, pois deveriam estes ensinos “gotejarem”, ou seja, pouco a pouco, de forma contínua e permanente, cair sobre o povo, a fim de lhe dar vida, assim como a chuva e o orvalho, pela manhã, fazem em relação à terra.

- Esta expressão de Moisés, também, mostra-nos que a doutrina é algo que vem do alto, que vem do céu, seja na forma de chuva, seja por meio da condensação do vapor d’água encontrado no ar(o orvalho), indicando-se que a doutrina não é obra do homem, mas resultado da revelação divina, de um ensino vindo diretamente da parte do Senhor.

- Por fim, a expressão de Moisés dá-nos a nítida noção de que o trabalho da doutrina é manter a vida e uma vida renovada no ser humano, pois é comparada ao chuvisco sobre a erva e a gotas d’água sobre a relva. Todos nós já divisamos, pela manhã cedinho, o orvalho que está a manter molhadas as ervas e a relva, mantendo-as bem verdes, dando-lhes vida, vigor e exuberância (i.e., beleza). Os campos verdes, pela manhã, aquele frescor que sentimos quando nos encontramos em uma área verde logo pela manhã, que tão bem nos faz à saúde, é o resultado desta ação refrescante da chuva e do orvalho. Este é o papel da doutrina em nossa vida espiritual: refrigério para a nossa alma, renovação de nossas forças espirituais, concessão de beleza e de prazer aos nossos corações e a todos quantos travam contacto conosco. Bem se vê, portanto, que bem ao contrário dos que dizem que a doutrina torna o homem insensível a Deus, vemos que o papel da doutrina é precisamente o de nos conceder vida, vida abundante, refrescor e sensibilidade diante de Deus e dos homens.

- Por isso, a Igreja, na sua função de “coluna e firmeza da verdade”, faz com que o refrigério de Cristo alcance as vidas humanas. Ao defender a sã doutrina, a Igreja não está fazendo outra coisa senão levar aos homens o amor de Deus, o consolo do Senhor, a felicidade e a dignidade de que o homem é tão carente, separado que está de seu Criador pelo pecado. Não é outro o sentido da pregação de Pedro, registrada em At.3:19, quando disse aos ouvintes que deveriam se arrepender e se converter, para que os pecados fossem apagados e viessem os tempos do refrigério pela presença do Senhor.

- O refrigério pela presença do Senhor é algo que somente advém ao ser humano mediante o ensino da Palavra de Deus, mediante a ministração da doutrina. Jesus, mesmo, afirmou que somente encontraríamos descanso para as nossas almas quando aprendêssemos dEle, que era manso e humilde de coração (Mt.11:29). “Refrigério”, como sabemos, é o “ato ou efeito de refrigerar(-se); sensação agradável produzida pela frescura; consolo, alívio de qualquer natureza; conforto moral “. Somente através do “refrigério”, conseguimos ter a mudança de nosso caráter, tornando-o o nosso “eu”, sem empenho, arrefecido, esfriado, pois “refrigério” vem da palavra latina “frigere”, que tem, entre outros significados, o de esfriar, perder o empenho, arrefecer.

- Jesus afirmou que, para nós O seguirmos, precisamos renunciar a nós mesmos. Quem não renuncia a si mesmo não pode ser discípulo de Jesus (Mt.16:24; Lc.14:33). Para renunciarmos a nós mesmos, temos de fazer com que o velho homem, a velha natureza seja crucificada com Cristo (Gl.2:20) e isto só é possível se tivermos o refrigério pela presença do Senhor, ou seja, o aprendizado de Cristo, o que se dá única e exclusivamente pela doutrina. É preciso que soframos a sã doutrina (II Tm.4:3), isto é, que suportemos a doutrina, que nos submetamos a ela, pois só assim teremos descanso para as nossas almas, só assim manteremos o velho homem, a natureza pecaminosa sob domínio do Espírito Santo e poderemos servir a Jesus até o dia da glorificação.

- Esta tarefa da ministração da doutrina é mais uma das missões destinadas pelo Senhor Jesus à Igreja. O Senhor constituiu na Igreja pessoas para esta tarefa de ministrar a Palavra de Deus, 


Ev. Carlos Borges(CABB)