segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

LEI E GRAÇA - PARTE 1



Lei e Graça: Uma visão reformada
Mauro Fernando Meister*

É quase um paradigma para os cristãos modernos associar o Antigo Testamento à Lei e o Novo Testamento à Graça. Em várias oportunidades propus a estudantes de seminário e na escola dominical estabelecer o relacionamento entre os termos e, invariavelmente, a resposta tem sido a seguinte relação:

LEI             Antigo Testamento
GRAÇA                 Novo Testamento
I. Estamos sob a Lei ou sob a graça?
Esse questionamento reflete um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da graça de Deus. Muitos associam a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao período do Antigo Testamento e a graça como um elemento neotestamentário. Isso é muitas vezes o fruto do estudo apressado de textos como:
...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Romanos 6.14).
E, de fato, uma leitura isolada dos textos acima pode levar o leitor a entender lei e graça como um binômio de oposição. Lei e graça parecem opostos, sem reconciliação — o cristão está debaixo da graça e conseqüentemente não tem qualquer relação com a lei. No entanto, essa leitura é falaciosa. O entendimento isolado desses versos leva a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não tem qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a lei se torna dispensável.1 O oposto dessa posição é o legalismo ou moralismo, que é a tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo). Nesse caso, a obediência não é um fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar a Deus e de se adquirir mérito diante dele. Exatamente contra essa idéia é que a Reforma Protestante lutou, apresentando como uma de suas principais ênfases a sola gratia.
No século XVI, os católicos acusavam os reformadores de antinomistas, de serem contrários à lei de Deus. Até mesmo o grande reformador Martinho Lutero expressou preocupação quanto a alguns de seus seguidores que, em seu zelo de proclamar a graça por tanto tempo desprezada pela Igreja, acabavam por desprezar a Lei. Desde a reforma têm aparecido movimentos enfatizando um ou outro desses aspectos, lei ou graça, sempre de forma excludente. Um dos mais recentes movimentos nessa linha, enfatizando a graça em detrimento da lei, é o dispensacionalismo. Essa forma de abordagem surgiu no século XIX, caracterizando a lei como a forma de salvação no período mosaico e o evangelho como a forma de salvação na dispensação da igreja. Esse é, possivelmente, o movimento que mais influência exerce atualmente na interpretação do papel da lei e da graça entre os evangélicos ao redor do mundo.
Em uma direção oposta, outro grande movimento foi iniciado por Karl Barth, em seu livro God, Grace and Gospel, onde argüi por uma unidade básica entre lei e graça, direcionando seu pensamento para um novo moralismo.2 Para termos uma boa idéia de como o debate ainda é atual, em 1993 foi publicado o livro Five Views on Law and Gospel, da coleção Counterpoints, no qual cinco escritores evangélicos contemporâneos expressam diferentes pontos de vista sobre a relação entre a lei e o evangelho (graça).Sem sombra de dúvida, o assunto ainda está muito longe de apresentar um consenso entre os evangélicos.
As implicações da forma como entendemos a relação entre lei e graça vão muito além do aspecto puramente intelectual. Esse entendimento vai, na verdade, determinar toda a forma como alguém enxerga a vida cristã e que tipo de ética esse cristão irá assumir em sua caminhada. John Hesselink, um estudioso sobre a relação entre lei e graça, exemplifica que, na década de 1960, os cristãos proponentes da ética situacionista se levantaram contra leis, regras e princípios gerais, propondo uma nova moralidade.Esse movimento propõe que a ética das Escrituras não é absoluta, mas depende do contexto. Nem mesmo a lei moral de Deus é absoluta; ela depende da situação. Essa proposta surgiu e se desenvolveu dentro do cristianismo tradicional, alcançando seguidores de todas as bandeiras denominacionais, praticamente sem restrições. A lei não tem mais qualquer papel determinante na ética cristã; o que determina a ética cristã é o “princípio do amor,” conclui o movimento. A conseqüência dessa conclusão é que a graça suplanta a lei. As decisões éticas devem ser tomadas levando em consideração o princípio do amor. Tome-se por exemplo a questão do aborto no caso de estupro. Aprová-lo nessas circunstâncias é um ato de amor baseado no princípio do amor à mãe que foi estuprada. Ou mesmo a questão da pena de morte. Ela não se encaixa no princípio do amor ao próximo e, portanto, não pode ser uma prática cristã. Até mesmo situações como o divórcio passam a ser aceitáveis pelo princípio do amor. A separação de casais passa a ser aceitável pelo mesmo princípio. O mesmo acontece com o homossexualismo. Aceitar o homossexualismo passa a ser um ato de amor, e portanto, essa prática não pode ser considerada como pecado, ou, se assim considerada, é um pecado aceitável.
Mas seria essa a verdadeira conclusão do cristianismo e o verdadeiro ensino das Escrituras sobre a lei? É isso que o estudo das Escrituras e o cristianismo histórico nos ensinam? Nas páginas a seguir avaliaremos o pensamento de Calvino a respeito dessa questão e a aplicação calvinista refletida na Confissão de Fé de Westminster (CFW).
II. O Uso da Lei
Para entendermos bem o uso da lei precisamos entender o que são o pacto das obras e o pacto da graça. Assim, é prudente começarmos por esclarecer o que são esses pactos e qual o conceito de lei que está envolvido na questão.
Pacto das Obras e Pacto da Graçaé a terminologia usada pela Confissão de Fé de Westminsterpara explicar a forma de relacionamento adotada por Deus para com as suas criaturas, os seres humanos. Mais do que isso, essa terminologia reflete o sistema teológico adotado pelos reformados, conhecido como teologia federal.De forma bem resumida, podemos dizer que o pacto das obras é o pacto operante antes da queda e do pecado. Adão e Eva viveram originalmente debaixo desse pacto e sua vida dependia da sua obediência à lei dada por Deus de forma direta em Gênesis 2.17 — não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.Adão e Eva descumpriram a sua obrigação, desobedeceram a lei e incorreram na maldição do pacto das obras, a morte.
O pacto da graça é a manifestação graciosa e misericordiosa de Deus, aplicando a maldição do pacto das obras à pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, fazendo com que parte da sua criação, primeiramente representada em Adão, e agora representada por Cristo, pudesse ser redimida. Porém, a lei antes da queda não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A lei não deve ser reduzida a um aspecto somente. Existem outras leis, implícitas e explícitas, no texto bíblico. Por exemplo, a descrição das bênçãos em Gênesis 1.28 aparece nos imperativos sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai. Esses imperativos foram ordens claras do Criador a Adão e sua esposa e, por conseguinte, eram leis. O relacionamento de Adão com o Criador estava vinculado à obediência, a qual ele era capaz de exercer e assim cumprir o papel para o qual fora criado. No entanto, o relacionamento de Adão com Deus não se limitava à obediência. Esse relacionamento, acompanhado de obediência, deveria expandir-se de maneira que nele o Deus criador fosse glorificado e o ser humano pudesse ter plena alegria em servi-lo. A Confissão de Fé nos fala da lei de Deus gravada no coração do homem (CFW 4.2). Essa lei gravada no coração do ser humano reflete o tipo de intimidade reservada por Deus para as suas criaturas.
Nesse contexto podemos perceber que a lei tinha um papel orientador para o ser humano. Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente e assim cumprir o seu papel. A obediência estava associada à manutenção da bênção pactual. A não obediência estava associada à retirada da bênção e à aplicação da maldição. A lei, portanto, tinha uma função orientadora. O ser humano, desde o princípio, conheceu os propósitos de Deus através da lei. Tendo quebrado a lei, ele tornou-se réu da mesma e recebeu a clara condenação proclamada pelo Criador: a morte.
O que acontece com essa lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel? Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano caído?

III. De que Lei estamos Falando?
A revelação da lei de Deus, como expressão objetiva da sua vontade, encontra-se registrada nas Escrituras. Esse registro, que começou nos tempos de Moisés, fala-nos da lei que Deus deu a Adão e também aos seus descendentes. Essa lei foi revelada ao longo do tempo. Dependendo
Lei e Graça: Uma visão reformada
Mauro Fernando Meister*

É quase um paradigma para os cristãos modernos associar o Antigo Testamento à Lei e o Novo Testamento à Graça. Em várias oportunidades propus a estudantes de seminário e na escola dominical estabelecer o relacionamento entre os termos e, invariavelmente, a resposta tem sido a seguinte relação:

LEI             Antigo Testamento
GRAÇA                 Novo Testamento
I. Estamos sob a Lei ou sob a graça?
Esse questionamento reflete um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da graça de Deus. Muitos associam a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao período do Antigo Testamento e a graça como um elemento neotestamentário. Isso é muitas vezes o fruto do estudo apressado de textos como:
...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Romanos 6.14).
E, de fato, uma leitura isolada dos textos acima pode levar o leitor a entender lei e graça como um binômio de oposição. Lei e graça parecem opostos, sem reconciliação — o cristão está debaixo da graça e conseqüentemente não tem qualquer relação com a lei. No entanto, essa leitura é falaciosa. O entendimento isolado desses versos leva a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não tem qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a lei se torna dispensável.1 O oposto dessa posição é o legalismo ou moralismo, que é a tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo). Nesse caso, a obediência não é um fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar a Deus e de se adquirir mérito diante dele. Exatamente contra essa idéia é que a Reforma Protestante lutou, apresentando como uma de suas principais ênfases a sola gratia.
No século XVI, os católicos acusavam os reformadores de antinomistas, de serem contrários à lei de Deus. Até mesmo o grande reformador Martinho Lutero expressou preocupação quanto a alguns de seus seguidores que, em seu zelo de proclamar a graça por tanto tempo desprezada pela Igreja, acabavam por desprezar a Lei. Desde a reforma têm aparecido movimentos enfatizando um ou outro desses aspectos, lei ou graça, sempre de forma excludente. Um dos mais recentes movimentos nessa linha, enfatizando a graça em detrimento da lei, é o dispensacionalismo. Essa forma de abordagem surgiu no século XIX, caracterizando a lei como a forma de salvação no período mosaico e o evangelho como a forma de salvação na dispensação da igreja. Esse é, possivelmente, o movimento que mais influência exerce atualmente na interpretação do papel da lei e da graça entre os evangélicos ao redor do mundo.
Em uma direção oposta, outro grande movimento foi iniciado por Karl Barth, em seu livro God, Grace and Gospel, onde argüi por uma unidade básica entre lei e graça, direcionando seu pensamento para um novo moralismo.2 Para termos uma boa idéia de como o debate ainda é atual, em 1993 foi publicado o livro Five Views on Law and Gospel, da coleção Counterpoints, no qual cinco escritores evangélicos contemporâneos expressam diferentes pontos de vista sobre a relação entre a lei e o evangelho (graça).Sem sombra de dúvida, o assunto ainda está muito longe de apresentar um consenso entre os evangélicos.
As implicações da forma como entendemos a relação entre lei e graça vão muito além do aspecto puramente intelectual. Esse entendimento vai, na verdade, determinar toda a forma como alguém enxerga a vida cristã e que tipo de ética esse cristão irá assumir em sua caminhada. John Hesselink, um estudioso sobre a relação entre lei e graça, exemplifica que, na década de 1960, os cristãos proponentes da ética situacionista se levantaram contra leis, regras e princípios gerais, propondo uma nova moralidade.Esse movimento propõe que a ética das Escrituras não é absoluta, mas depende do contexto. Nem mesmo a lei moral de Deus é absoluta; ela depende da situação. Essa proposta surgiu e se desenvolveu dentro do cristianismo tradicional, alcançando seguidores de todas as bandeiras denominacionais, praticamente sem restrições. A lei não tem mais qualquer papel determinante na ética cristã; o que determina a ética cristã é o “princípio do amor,” conclui o movimento. A conseqüência dessa conclusão é que a graça suplanta a lei. As decisões éticas devem ser tomadas levando em consideração o princípio do amor. Tome-se por exemplo a questão do aborto no caso de estupro. Aprová-lo nessas circunstâncias é um ato de amor baseado no princípio do amor à mãe que foi estuprada. Ou mesmo a questão da pena de morte. Ela não se encaixa no princípio do amor ao próximo e, portanto, não pode ser uma prática cristã. Até mesmo situações como o divórcio passam a ser aceitáveis pelo princípio do amor. A separação de casais passa a ser aceitável pelo mesmo princípio. O mesmo acontece com o homossexualismo. Aceitar o homossexualismo passa a ser um ato de amor, e portanto, essa prática não pode ser considerada como pecado, ou, se assim considerada, é um pecado aceitável.
Mas seria essa a verdadeira conclusão do cristianismo e o verdadeiro ensino das Escrituras sobre a lei? É isso que o estudo das Escrituras e o cristianismo histórico nos ensinam? Nas páginas a seguir avaliaremos o pensamento de Calvino a respeito dessa questão e a aplicação calvinista refletida na Confissão de Fé de Westminster (CFW).
II. O Uso da Lei
Para entendermos bem o uso da lei precisamos entender o que são o pacto das obras e o pacto da graça. Assim, é prudente começarmos por esclarecer o que são esses pactos e qual o conceito de lei que está envolvido na questão.
Pacto das Obras e Pacto da Graçaé a terminologia usada pela Confissão de Fé de Westminsterpara explicar a forma de relacionamento adotada por Deus para com as suas criaturas, os seres humanos. Mais do que isso, essa terminologia reflete o sistema teológico adotado pelos reformados, conhecido como teologia federal.De forma bem resumida, podemos dizer que o pacto das obras é o pacto operante antes da queda e do pecado. Adão e Eva viveram originalmente debaixo desse pacto e sua vida dependia da sua obediência à lei dada por Deus de forma direta em Gênesis 2.17 — não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.Adão e Eva descumpriram a sua obrigação, desobedeceram a lei e incorreram na maldição do pacto das obras, a morte.
O pacto da graça é a manifestação graciosa e misericordiosa de Deus, aplicando a maldição do pacto das obras à pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, fazendo com que parte da sua criação, primeiramente representada em Adão, e agora representada por Cristo, pudesse ser redimida. Porém, a lei antes da queda não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A lei não deve ser reduzida a um aspecto somente. Existem outras leis, implícitas e explícitas, no texto bíblico. Por exemplo, a descrição das bênçãos em Gênesis 1.28 aparece nos imperativos sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai. Esses imperativos foram ordens claras do Criador a Adão e sua esposa e, por conseguinte, eram leis. O relacionamento de Adão com o Criador estava vinculado à obediência, a qual ele era capaz de exercer e assim cumprir o papel para o qual fora criado. No entanto, o relacionamento de Adão com Deus não se limitava à obediência. Esse relacionamento, acompanhado de obediência, deveria expandir-se de maneira que nele o Deus criador fosse glorificado e o ser humano pudesse ter plena alegria em servi-lo. A Confissão de Fé nos fala da lei de Deus gravada no coração do homem (CFW 4.2). Essa lei gravada no coração do ser humano reflete o tipo de intimidade reservada por Deus para as suas criaturas.
Nesse contexto podemos perceber que a lei tinha um papel orientador para o ser humano. Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente e assim cumprir o seu papel. A obediência estava associada à manutenção da bênção pactual. A não obediência estava associada à retirada da bênção e à aplicação da maldição. A lei, portanto, tinha uma função orientadora. O ser humano, desde o princípio, conheceu os propósitos de Deus através da lei. Tendo quebrado a lei, ele tornou-se réu da mesma e recebeu a clara condenação proclamada pelo Criador: a morte.
O que acontece com essa lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel? Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano caído?

III. De que Lei estamos Falando?
A revelação da lei de Deus, como expressão objetiva da sua vontade, encontra-se registrada nas Escrituras. Esse registro, que começou nos tempos de Moisés, fala-nos da lei que Deus deu a Adão e também aos seus descendentes. Essa lei foi revelada ao longo do tempo. Dependendo das circunstâncias e da ocasião em que foi dada, possui diferentes aspectos, qualidades ou áreas sobre as quais legisla. Assim, é importante observar o contexto em que cada lei é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo manifesto. Só assim poderemos saber a que estamos nos referindo quando falamos de Lei.

A Confissão de Fé, no capítulo 18, divide esses aspectos em lei moral, civil e cerimonial. Cada uma tem um papel e um tempo para sua aplicação:
(a) Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
(b) Lei Religiosa ou Cerimonial – representa a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.
(c) Lei Moral – representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres.
A. Toda a Lei é aplicável aos nossos dias?
Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
(a) A Lei Civil -Tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. Há os que  erram ao querer aplicar parte dela, sendo incoerentes, pois não conseguem aplicá-la, nem impingi-la, em sua totalidade.
(b) A Lei Religiosa -Tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda. Há os que erram ao querer aplicar parte da mesma nos dias de hoje e ao mesclá-la com a Lei Civil.
(c) A Lei Moral -Tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões.Há os que  acertam ao considerá-la válida, porém erram ao confundi-la e ao mesclá-la  com as outras duas, prescrevendo um aplicação confusa e desconexa.
Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis civis e cerimoniais de Israel não têm um caráter normativo para o povo de Deus em nossos dias, ainda que possam ter outra função como, por exemplo, ensinar-nos princípios gerais sobre a justiça de Deus. Portanto, a lei que permanece “vigente” em nossa e em todas as épocas é a lei moral de Deus. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje. Isto implica que estamos, hoje, debaixo da lei?

B. Estamos sob a Lei ou sob a Graça de Deus?
Muitas interpretações erradas podem resultar de um entendimento falho das declarações bíblicas de que “não estamos debaixo da lei, e sim da graça” (Romanos 6.14). Se considerarmos que os três aspectos da lei de Deus apresentados acima são distinções bíblicas, podemos afirmar:
(a) Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o período da graça de Deus, em que o evangelho atinge todos os povos, raças, tribos e nações.
(b) Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida em Cristo, e não nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais, uma vez que estamos sob a graça do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes.
(c) Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos achamos cobertos por sua graça. Não estamos, portanto, sob a lei, mas sob a graça de Deus, nesses sentidos.
Entretanto...
(a) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante.
(b) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa o caminho traçado por Deus no processo de santificação efetivado pelo Espírito Santo em nossa pessoa (João 14.15). Nos dois últimos aspectos, a própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua graça, representando a revelação objetiva e proposicional de sua vontade.
Ev. Carlos  Borges  (CABB)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CARRUAGEM DE ABÓBORA

Cada novo ano que chega parece vir  sempre como um conto de fadas.
Mas Deus não deseja que vivamos a ilusão da linda  carruagem que volta a ser a velha abóbora ao soar das doze badaladas,mas que experimentemos a vida abundante trazidas por seu Filho Jesus .

Salomão deveria estar  cansado do ano que se diz novo e esperto a cada translação, mas na seguinte rotação é surpreendido decrépito e já caduco.Compreendo a chateação do monarca de Israel.Possuindo um espírito tão largo, sabia que tudo se resume numa frase velha que está sempre moça: "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Tema a Deus, e guarda os seus mandamento; porque isto é o dever de todo homem" Ecq2.13.
Ele disse que geração vai e geração vem e a terra permanece para sempre, porque o ano novo chega sempre  numa "carruagem  de abóbora.À semelhança da Gata Borralheira, aparece esplendendo felicidades; suscita um diamante de cada orvalho; sufoca o mais débil passado. No dia seguinte, apenas abóbora partida! Descobre-se que os anos são siameses. Eles formam lustros e décadas, séculos e milênios. Não são ilhas de fantasias, mas um continente de amargas realidades.Eles são a nossa história e não um conto de fadas.
Não é plano do Senhor que passemos a vida trafegar em carruagens de abóbora. Ele nos preparou algo melhor e sumamente superior. Em primeiro lugar, deseja que aprendamos a contar nossos dias  de tal maneira que venhamos a alcançar corações sábios(Sl. 9.12). Deseja também que não nos preocupemos com os dias passados e prossigamos no encalço de  nossa soberana vocação.Como Paulo, devemos sempre ter esta divisa:"Não que eu o tenha já recebido, ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar  aquilo para o que também fui conquistado por Cristo. Jesus. Irmãos quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das  coisas que para trás ficam  e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o premio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus"(Fp 3.12-14).

Conclusão:
Somente  os que  têm a mocidade  renovada  como a da águia é que podem prosseguir nesta tão abençoada jornada. Nesta maratona não se cansam,pois as promessas do Eterno os insuflam de animo  e força: "Os que  esperam no Senhor renovam  as suas forças,sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam(Is. 40.31).

 Um Feliz 2014 a todos o leitores desse blog

Ev. Carlos Borges(CABB)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CRESCIMENTO ESPIRITUAL



: CRESCIMENTO ESPIRITUAL  
INTRODUÇÃO
É muito importante este estudo, pois quem não cresce espiritualmente não está bem. Vamos estudar hoje: características do crescimento, a necessidade de limparmos tanto a vida material como a espiritual para crescermos, a necessidade de crescimento espiritual, a finalidade do crescimento e como crescer espiritualmente. 

1) CARACTERÍSTICAS DO CRESCIMENTO
Crescer é algo natural e normal para todos os seres vivos. Na vida espiritual também é assim. É Deus que nos dá o crescimento espiritual (1a Cor. 3:6-7).
Somos comparados a um edifício em construção (Efésios 2:20-22). Só depende de nós fazermos a nossa parte; desejando (1a Ped. 2:1-2) e procurando crescer sempre (João 15:3-7).
As características básicas do crescimento espiritual são duas: é Deus quem dá o crescimento espiritual. Porém nós é que temos de buscá-lo. Deus manda que peçamos o crescimento e Ele dará (Luc. 11:9-13; Mat. 7:7-11). Deus quer que cresçamos em tudo aquilo que é de Jesus Cristo. 

2) LIMPE A VIDA MATERIAL E CRESÇA
"Para que cresça o lado espiritual é necessário limpar o lado material". Ore pedindo a libertação de tudo que é contrário à Palavra de Deus (João 8:32 e v. 36). Mantenha para com seus vizinhos, seus familiares e em seu trabalho, a mesma conduta que tem na Igreja; devemos vigiar nossa vida material e tomar a decisão firme de viver conforme os padrões do Evangelho. Exemplos: Abandonar os bailes, boates, carnaval, bebida alcoólica, roda dos escarnecedores, prostituição e ser fiel na vida matrimonial (Sal. 1:1-3; Mal. 2:14-15; Prov. 23:27-33; 1a Cor. 6:18-20).
Após abandonar estas coisas, devemos vigiar sempre estas áreas. Manter a vida material limpa, usar linguagem e irrepreensível, não nos conformar com este mundo e não aceitar a influência da mídia e do meio social em que vivemos, aferindo todo o nosso modo de viver com o que ensina a Bíblia (Rom. 12:1-2; Filip. 4:8; Tiago 4:3-4; Tito 2:8). 

3) LIMPE A VIDA ESPIRITUAL E CRESÇA
Na área espiritual devemos limpar nossa vida de todas aquelas coisas do mundo que nos envolveram antes de sermos crentes. Exemplos: abandonar as crendices tais como: não passes debaixo de escada, não toques, não proves, não manuseies, penitência ou sacrifício para sermos salvos, doutrina, tradição ou costumes religiosos que recebemos de nossos familiares, contrários à Palavra de Deus (Cols. 2:20-23; Marc. 7:6-13; 2a Cor. 6:14-18). Abandonar todas as superstições e objetos que usávamos com o propósito enganoso de nos livrar do mal.
Abandonar todas as promessas feitas aos santos (imagens), assim como a crença neles, pois é idolatria e jogá-los fora (Deut. 7:25-26; Sal. 97:7; 135:15-18). "Oremos epeçamos a Deus poder para limpar a nossa vida espiritual de todas essas coisas contrárias do passado". Devemos crescer no conhecimento de Cristo (Cols. 1:10; 2a Tes. 1:3).
Crescer na graça e em ações de graças (Cols. 2:7; 2a Ped. 3:18). Crescer em santidade e em amor (1a Tes. 5:23; 3:12; 1a Ped. 1:22). Crescer na unidade da fé e em tudo que é de Jesus. Não desanimemos, sejamos fortes e corajosos e busquemos isto de coração. Então, veremos o bom resultado: receberemos crescimento espiritual em todos os sentidos, tanto para edificação de nossa própria vida como para edificação da Igreja, até chegarmos à estatura do varão perfeito que é Cristo (Efésios 4:11-13).  

4) A NECESSIDADE DE CRESCIMENTO
Se uma criança não cresce, algo não está bem. Assim como é necessário que a criança cresça e torne-se adulta, tenha uma vida normal e saiba como se conduzir, também é necessário crescermos na vida espiritual e sermos adultos, vivermos com segurança dentro da Palavra de Deus fazendo a Sua obra. Além disso, Deus quer nos revelar muitos mistérios ocultos e segredos em Sua Palavra (Cols. 1:27-28; Amós 3:7). Deus deseja nos encher das riquezas celestiais ainda nesta vida, já nos preparando para as abundâncias dos Céus.
Todos temos necessidade de crescimento espiritual, para podermos receber as riquezas espirituais que Deus quer nos dar, vivermos em pé na Sua presença e fazermos a Sua obra. Porém só os que crescem espiritualmente podem entender e receber tais bênçãos (1a Cor. 2: 9-16; Efésios 1:17-19; 2:7).  

5) A FINALIDADE DO CRESCIMENTO
A finalidade do crescimento espiritual é não sermos mais meninos espirituais, levados em roda por todo vento de falsas doutrinas. Vivermos bem ajustados no corpo de Cristo, que é a sua Igreja, servindo a Deus. Estarmos firmes e seguros na força e no poder de Deus. Firmes contra as hostes do mal e suas ciladas. Firmes para resistir no dia mau, empunhando a Palavra da Verdade, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito Santo que é a Palavra de Deus. Com isto apagaremos todos os dardos inflamados do maligno.
Esta é a finalidade do crescimento espiritual: não sermos enganados nem derrubados por falsas doutrinas, recebermos o alimento espiritual sólido, alcançarmos a maturidade espiritual, estarmos firmes em Cristo fazendo a Sua obra e produzindo frutos para glória de Deus. Assim, venceremos toda a obra do mal, receberemos as riquezas dos Céus e cresceremos no conhecimento de Deus (Heb. 5:12-14; Efésios 4:14-16; 6:10-18).


6) COMO CRESCER ESPIRITUALMENTE
Crescer espiritualmente é muito importante, mas depende de uma decisão pessoal. Quando o assunto é importante, nós arranjamos tempo para tudo. Deus está sempre pronto a nos dar o crescimento. Façamos, pois, a nossa parte, conforme as letras (A), (B) e (C) a seguir e cresceremos. 

A) ESTUDAR A BÍBLIA TODOS OS DIAS
Em Oséias 4:6; 6:3, 6 diz: "o meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento de Deus. Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor. Porque Eu quero misericórdia, e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos". Assim, necessitamos de estudar e meditar na Bíblia todos os dias (Josué 1:8-9), aprendendo de Jesus (Mat. 11: 28-30), aplicando a Palavra à nossa vida e guardando-a no coração (João 6:63; 15:3; Apoc. 1:3). Participar sempre da escola dominical para aprendermos mais de Deus. Reestudar em casa todos estes assuntos. 

B) VIDA DE ORAÇÃO DIÁRIA
Devemos orar várias vezes todos os dias (1a Tes. 5:17), vigiar em oração (Luc. 21:36). Devemos viver todos os dias de nossa vida pré-dispostos a crescer espiritualmente, mantendo comunhão diária com Deus em oração, e orar para que haja crescimento na Igreja (João 14:13-14 e v. 23; 15:11 e v. 16; Atos 1:14; 2:41-42; 4:4). 

C) SERVIR A DEUS DIARIAMENTE
 
Servir a Deus todos os dias através de um viver honesto, em retidão e justiça perante Deus e os homens. "Uma vida de verdadeiro testemunho cristão" (Sal. 100: 1-5; Ex. 23:25). Se possível, fazer o culto doméstico diariamente em família (Deut. 6: 6-9). Participar, se possível, de todos os cultos da Igreja integrando-se em suas atividades (Atos 2:42-43 e v. 46; João 12:26; 5:17).
Servir a Deus todos os dias, testemunhando e ensinando aos outros o que já aprendemos, dizendo-lhes que só em Jesus Cristo há salvação (Atos 5:42; 4:12). Obedecer sempre à vontade de Deus (1o Sam. 15:22-23). Vigiar para que o pecado não nos envolva, mas, se envolver, arrependermo-nos logo, abandoná-lo e pedir o perdão e a purificação pelo sangue de Jesus (1a João 1:7).  

7) APELO
Este estudo aplica-se mais aos salvos. Se alguém, no entanto, ainda não nasceu de novo e não tem certeza da salvação, arrependa-se e creia pela fé que os seus pecados crucificaram Jesus. Creia que Cristo já recebeu na cruz o castigo que você merecia, e receba hoje pela fé o perdão e a salvação (Rom. 3:20 e v. 28; Efésios 2:8-9; Isaias 53:4-6).

CONCLUSÃO
É Deus quem dá o crescimento espiritual, mas nós é que temos de busca-lo. Devemos limpar tanto a vida material como a espiritual para crescer. Todos temos necessidade de crescer espiritualmente para não sermos enganados nem derrubados.
Deus quer que cresçamos e busquemos isto de coração. A finalidade é sermos adultos espirituais, vivermos firmes em Cristo, vencendo todo o mal, recebermos as abundantes bênçãos de Deus e fazermos a Sua obra como Ele quer.
Nós cresceremos espiritualmente através do estudo da Bíblia, da oração e do servir a Deus todos os dias. Aprendamos de Cristo. Cresçamos em Cristo. Vivamos em Cristo e sirvamos a Cristo, Amém. Leia a Bíblia...Comece pelo Novo Testamento.
Reestude em casa este assunto lendo todos os textos, responda às perguntas da folha de respos- tas e receba muitas bênçãos.
Ev.Carlos Borges(CABB)