quarta-feira, 18 de julho de 2018

O TRIGO E O JOIO



Mt. 13.24-30
Introdução: Identifica as boas sementes plantadas no campo como os “filhos do reino” (v. 38). Isso significa que o agricultor e dono do campo, Jesus, espalha boas sementes nesse grande campo chamado mundo. Mesmo que hoje em dia não consigamos ver tantas boas sementes crescendo, e sejamos até pessimistas com relação à atuação do bem, as boas sementes estão lá, pois foram plantadas por Jesus.

I CARACTERÍSTICA DA PARÁBOLA
1- O trigo e o Joio
·        Não existe somente um plantador de sementes - O inimigo, espalhador de sementes ruins, apontado por Jesus como sendo o diabo, também está trabalhando.
·         Se Jesus planta seus servos como boas sementes, o diabo planta seus servos como más sementes como forma de estragar de alguma forma a plantação de Deus.
·        Nesse ponto não podemos ser ingênuos, mas atentos.
·        Os filhos de Deus e os filhos do maligno são parecidos, mas não são iguais - O maligno espalha suas más sementes pelo campo.
·        Os filhos do maligno são “parecidos” com os filhos de Deus, assim com o joio se parece com o trigo.
·        Mas não podemos ser ingênuos achando que dentro de nossas igrejas existe apenas trigo.
·        Devemos ser prudentes sabendo que ele, o joio, existe e está também tentando crescer e tomar seu espaço.
·         Apesar de o joio ser parecido com o trigo, devemos tal qual como os agricultores da parábola, sermos atentos para saber que existe certa quantidade de joio crescendo junto com o trigo.
·        O crescimento do joio não está fora do controle do dono da plantação - O fato do dono da plantação não permitir que se arranque o joio logo quando é identificável mostra que ele não foi surpreendido pelo inimigo.
·         O dono da plantação, Deus, tem controle absoluto e orienta seus empregados a como agir da melhor forma com relação ao joio em meio ao trigo.
·         Devemos ouvir a voz do dono para agirmos com sabedoria diante da esperteza do inimigo.
·        No final das contas o dono da plantação já tem planejado o que fará com esse joio e com o trigo que plantou.

2- O Semeador e o campo
·        A Parábola do Semeador é de notável beleza poética.
·        Pela sua originalidade e pelas lições que encerra, honra a seu autor e revela a profundidade de um soberano pensador, Jesus.
·        Uma Verdadeira obra prima que ocupa lugar na literatura universal.
·         A Galiléia, região que Jesus estava quando contou a parábola do Semeador, possuía um solo muito fértil.
·        Jesus estava às margens do Mar da Galiléia, de onde se podia ver um campo de trigo ondulado que descia até a praia.
·        Havia um caminho trilhado que o atravessava, sem muro nem qualquer outro fator que impedisse a semente de cair aqui ou acolá nas suas bordas.
·        Nessas bordas, o chão estava endurecido pela contínua passagem dos cavalos, mulas e homens.
·         No meio do campo estava à boa terra, a planície de Genesaré, com uma plantação viçosa e bela, produzindo grande quantidade de trigo.
·        Ali também se encontrava um solo rochoso, coberto com uma fina camada de terra, oriundo das montanhas e colinas que cercam o lago de Genesaré.
·         Este solo alcança várias partes do campo.
·         Podia-se ver também, junto ao campo, cardos, urtigas e outras plantas espinhosas.


3- O inimigo
·        Na Parábola do Joio e do Trigo Jesus comparou o Reino dos céus à lavoura de um homem.
·        Este homem semeou boa semente de trigo em seu campo.
·        Mas durante o seu período de descanso, veio um adversário e semeou joio no meio do trigo.
·         Passando o tempo, o trigo cresceu e frutificou, mas junto dele também apareceu o joio.
·        Ao constatarem que havia joio entre o trigo, os servos do dono do campo lhe interrogaram sobre o porquê da presença de joio na plantação se na verdade apenas o trigo havia sido semeado por ele.
·        O agricultor respondeu aos seus servos que um inimigo (Satanás) havia feito aquilo.
·        Jesus explicou a parábola dizendo que o homem que semeia a boa semente é o Filho do homem, ou seja, Ele próprio.
·         Vale saber que o título  "Filho do Homem" é a auto designação mais utilizada por Jesus.
·        Este é um título muito significativo que aponta tanto para sua plena humanidade quanto para sua plena divindade.


II LIÇÕES DA PARÁBOLA
1-Explicação de Jesus
·        O campo, na parábola, serve como representação do mundo.
·        A boa semente de trigo representa os filhos do Reino, enquanto que o joio representa os filhos do maligno.
·         Consequentemente, o inimigo que semeou o joio é o diabo.
·         Por último, a ceifa representa a consumação dos séculos, e os ceifeiros, aos anjos.
·        Os anjos ao serviço do Senhor nos dias finais, como ceifeiros, tirarão do Reino todo joio, ou seja, tudo o que foi semeado pelo diabo, isto é, os ímpios, aqueles que praticam o mal e são motivos de tropeço.
·         Eles serão lançados na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.
·        Por outro lado, a boa semente, isto é, os justos, brilharão como sol no Reino de Deus (Mateus 13:36-43).
·        No fim dos tempos, os anjos separarão os bons dos maus, hoje em dia, podem existir os cristãos falsos e os verdadeiros nas Igrejas (denominações), mas devemos ter muito cuidado com nossos julgamentos, porque somente Cristo está qualificado para fazer a separação final entre eles, se começarmos a julgar as pessoas pode causar algum dano ao “trigo”, é mais sábio julgar as nossas atitudes do que analisar as dos outros.

­2- O tempo da graça
·        Veremos ainda com toda a clareza nas palavras do Senhor Jesus, que toda Lei precisaria ser cumprida antes de sua abolição, pois a mesma também, como instituição divina, jamais poderia ser desconsiderada, a menos que fosse cabalmente cumprida.
·        Em Mateus 5.17 – 18, o Senhor Jesus, ao declarar ter vindo para cumprir a Lei, deixa evidente que o Apóstolo compreendeu o tempo da Graça em Sua pessoa, e mais uma vez ratificamos a declaração de João 1.29, que Cristo seria o grande sacrifício, que encerraria todos os rituais judaicos.
·        Em Efésios 2.8 – 9 fica evidenciado a parte que nos cabe; pois está dito pela Graça (favor imerecido de Deus por nós, no sacrifício de Cristo) somos salvos, contudo revela, mediante a fé.
·        Isto quer dizer que, a minha fé deve estar direcionada ao favor que Deus por mim instituiu na pessoa e sacrifício de Cristo.
·        E ainda está escrito que isto não vem de nós, ou seja, jamais teríamos como providenciar-nos um veiculo de salvação tão poderosa e eficaz.

3- O Joio com os dias contados
·        Jesus expôs as pessoas cheias de religiosidades, mas que não tinham um relacionamento pessoal com Ele.
·        No dia do juízo, importará apenas a nossa obediência a Deus e o relacionamento que construímos com Cristo, a partir do momento em que o aceitamos como nosso único Salvador e Senhor.
·        Muitas pessoas pensam que se forem “boazinhas” e pregam religião, terão como recompensa a vida eterna.
·        Na verdade, a fé em Cristo é o que conta no juízo.


III CONCLUSÃO DA PARÁBOLA
1- A impaciência dos servos
·        Efésios 4.2 “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor”.
·        Na hora das provações é que descobrimos quem realmente somos e por isso precisamos aprender a suportar as diferenças entre as pessoas (Colossenses 1.11). Quando falarmos a nossa opinião, precisamos aprender a falar “a verdade em amor” (Efésios 4.15).
·        Na pregação também devemos ser paciente, a semente quando é germinada, não nasce no dia seguinte, ela precisa de tempo para morrer e poder nascer, o verdadeiro crente só nasce para Deus quando morre para o mundo.

2- O Joio na Igreja (denominação)
·        Mas na igreja é diferente. Quando o joio se manifesta entre o povo de Deus, deve ser arrancado. Paulo instruiu a igreja dos coríntios sobre como resolver o problema de imoralidade no meio da congregação.
·        Ele usou palavras fortes para descrever a atitude certa em relação ao irmão que volta e permanece no pecado: “... já sentenciei... que o autor de tal infâmia seja... entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus].... Lançai fora o velho fermento.... agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador" (1 Coríntios 5:3-5, 7,11).
·        Paulo escreveu aos tessalonicenses: "Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente..." (2 Tessalonicenses 3:6).
·        O mesmo Cristo que deixou o joio com o trigo no mundo, fortemente criticou a igreja em Tiatira: "Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos" (Apocalipse 2:20).

3-O destino do trigo
·        O grão de trigo, lançado em terra, para se transformar em planta, se despe de sua casca, se desnuda e ressurge  com nova aparência (por dentro e por fora).
·         Sim, de fato, esse grão conservará alguns de seus elementos, porém terá renascido para uma nova vida em que dará origem a muitos outros grãos.
·        É uma simbologia fantástica, tão simples e complexa ao mesmo tempo, porque nos diz sobre eternidade com Deus e isso é o que de maior há no mundo inteiro, e coube em um pequenino grão de trigo, cuidado pelas firmes mãos de Jesus!
·        Jesus poderia ter usado o exemplo de qualquer outro grão, mas ao falar sobre trigo, Ele também fala de si mesmo: Trigo é Pão. Ele era o Pão da vida, que haveria de morrer e ressuscitar ao terceiro dia. Deixaria a aparência física de homem, nascido de  mulher, para receber um corpo glorioso e ser elevado ao céu. Atos 1: 6-9. Isso tudo era loucura para gregos e também judeus que ficavam divididos quando o assunto era morte e ressurreição.

Pr. Carlos Borges(CABB)

quarta-feira, 11 de julho de 2018

SOLENE ADVERTÊNCIA ÀQUELES QUE PROFESSAM A FÉ -PARTE FINAL


tormentos mais intoleráveis, certamente serão a experiência daqueles cuja profissão de fé não tem sido mais que uma indigna mentira!
Na verdade, de minha parte, preferiria morrer pecador abominável, que cristão hipócrita. Oh! Que terrível despertar de uma alma que, depois de ter tido a experiência de viver neste mundo, ser jogada com os mentirosos no outro; aquele que, depois de ser elevado até os céus aqui debaixo, se vê rebaixado até o inferno na eternidade! E quanto mais o formalista se deixe seduzir, mais terrível será sua desilusão. Ele havia pensado ter levado a seus lábios a taça cheia das delícias do paraíso, e no lugar disso, se vê condenado a beber até a borra da bebida do inferno! Ele contava entrar sem dificuldade pelas portas da Nova Jerusalém, e eis que as encontra fechadas!
Ele imaginava que para ser admitido na sala de núpcias, bastaria gritar: Senhor, Senhor, e em vez disso ouve ser pronunciado contra ele, não simplesmente a maldição geral dirigida à massa de pecadores, mas esta sentença, mil vezes mais terrível e amarga, porque ela é mais direta e pessoal: “Retira-te de mim, eu jamais te conheci! Ainda que tu tenhas comido e bebido em minha presença, ainda que tenhas entrado em meu santuário, tu és um estrangeiro para mim e eu o sou para ti!” Meus irmãos, um tal destino, mais lúgubre que o sepulcro, mais horrível que o inferno, mais desesperador que o desespero, tal destino será, inevitavelmente, a experiência desses pretensos cristãos cujo Deus é o ventre, que põem sua glória naquilo que é enganoso, e que colocam seu coração nas coisas da terra.
E agora, permitam-me, antes de terminar, responder a diversos pensamentos que podem ilustrar o que vocês acabaram de ouvir. Se não estou errado, alguns dentre vocês estão dizendo neste momento: “Eis aí um pregador que não poupa as Igrejas; e ele tem razão. Ele nos faz ouvir duras verdades. Quanto a mim, divido com ele o mesmo ponto de vista: essa gente que faz profissão de fé e que tem aparência de santo, é gente hipócrita e impostora. Eu sempre achei que não há um que seja sincero.” Espera  aí, meu amigo. A Deus não agradaria se eu tivesse dito algo parecido com o que você disse aí! Eu seria muito culpado se tivesse feito. Há mais: eu sustento que o fato de existir hipócritas é uma prova irrefutável que existem também cristãos sinceros.
“Como é isso?” Você me pergunta. É bem simples, meu querido ouvinte. Você creria que há dinheiro falso no mundo, se não houvesse a moeda verdadeira? Você acha que se poria a falsa em circulação, se não houvesse a de boa qualidade?
Evidentemente, não. A falsificação pressupõe, necessariamente, a existência da coisa falsificada. Se não existisse piedade verdadeira, também não existiria a falsa. Assim, como é o valor da moeda que faz com que o falsário a reproduza, também é a excelência do caráter cristão que dá a ideia a certas pessoas de o imitar. Não tendo a realidade, eles querem ao menos a aparência; não sendo de ouro puro, eles se revestem para dar uma aparência de que são. Eu lhes digo de novo, e o mais simples bom senso basta para que compreendam: porque há falsos cristãos, deve haver necessariamente os verdadeiros.
“Bem falado!” Pensa talvez um outro de meus ouvintes; “sim, graças a Deus, existem os sinceros e verdadeiros cristãos, e tenho a felicidade de ser um deles. Nunca tive dúvida nem medo em relação a isso; eu sei que sou um eleito de Deus, e ainda que, é verdade, eu não me conduza sempre como poderia desejar, ouso dizer que se eu não vou para o céu, poucos irão.
Assim, pregador do Evangelho, dê suas advertências a outro! Há mais de vinte anos sou membro da Igreja; há mais de dez anos tenho a honra de assentar-me no Conselho de presbíteros; eu gozo da consideração de meus irmãos; nada poderia abalar minha confiança. Quanto a meu vizinho, que seja; isso é outra coisa. Creio que fará bem em assegurar-se da realidade de sua conversão; mas, ainda uma vez, no que me diz respeito, tudo está bem; eu estou tranquilo.”
Ah! Meu querido ouvinte, você me perdoaria se lhe dissesse que seu excesso de segurança me inspira as mais graves inquietações? Se você nunca teve medo sobre a qualidade de sua piedade, eu que começo a tê-lo; se você alguma vez não duvida de você mesmo, eu só posso tremer; Por que? Lhe direi: eu tenho observado que todos os filhos de Deus têm uma extrema desconfiança a respeito deles mesmos; e que eles temem ser iludidos mais do que qualquer outra coisa. Nunca encontrei um verdadeiro crente que estivesse contente com seu estado espiritual. Portanto, depois que você se declarou tão particularmente satisfeito com seu estado, me desculpe, mas não posso, em verdade, apor minha assinatura sobre o certificado de piedade que você se deu. Pode ser que você seja muito bom; entretanto, suporte o meu conselho de examinar-se para ver se você está na fé; por medo que, estando inflado em seu senso carnal, você não caia nas armadilhas do maligno.
Nunca seguro demais, é uma divisa que convém perfeitamente ao cristão.
Observe-se, tanto quanto possível, a confirmar sua vocação e sua eleição; mas, jamais tenha uma opinião muito alta a respeito de si mesmo; guarde-se da presunção. Quantos homens excelentes a seus próprios olhos, que são demônios aos olhos de Deus! Quantas almas muito piedosas na opinião da Igreja, que não são mais que nódoas diante do Santo dos santos! Que cada um de nós prove a si mesmo, e digamos como o Salmista: Ó, Forte Deus! Sonda-me e conhece o meu coração; vê se há em mim algum mau caminho e conduza-me pelo caminho eterno (Sl 139:24).
Meus amados, se as advertências que acabamos de ouvir, tiverem como resultado fazer nascer em vocês pensamentos tais, que lhes inspirem a uma oração como a do salmista, eu louvarei a Deus do fundo de minha alma por ter-me permitido lhas dirigir.
Enfim, há certamente aqui alguns desses espíritos levianos e despreocupados, aos quais pouco importa, dizem eles, pertencer ou não a Cristo. Eles esperam viver como no passado, esquecidos de Deus, indiferentes às suas ameaças e desprezando o seu nome. Insensatos e cegos! O dia virá, saiba você, quando seu riso se tornará em choro, quando você sentirá a necessidade desta religião que hoje você desdenha! A bordo do navio da vida, navegando sobre um mar calmo, você agora zomba do barco de salvação; mas espere a tormenta, e você quererá embarcar no barco a qualquer preço. Agora você não faz nenhum caso do Salvador, porque lhe parece que você não tem nenhuma necessidade dele; mas quando a morte lhe pegar, quando vier a tempestade da cólera divina, - (observem bem isto, ó pecadores!) – você que agora não quer clamar por Cristo, você chama por  Ele! Você que agora se recusa a chamá-lo, o perseguirá, então, com o seu grito de desespero! Seu coração que agora não prova nenhum desejo de o possuir, clamará após ele, em uma inexprimível angústia.
Voltai, voltai! Convertei-vos; por que morreríeis, ó casa de Israel.
Oh! Queira o Senhor vos levar a ele, e fazer de vós seus sinceros e verdadeiros filhos, de sorte que vosso fim não seja a perdição, mas que sejais salvos desde agora e por toda a eternidade.

NA ESCOLA CONVENCIONAL, ESTUDAMOS A LIÇÃO E FAZEMOS A PROVA.
NA ESCOLA DE CRISTO, FAZEMOS A PROVA E APRENDEMOS A LIÇÃO.

Pr. Carlos Borges(CABB) 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

SOLENE ADVERTÊNCIA ÁQUELES QUE PROFESSAM A FÉ - PARTE 3


mas os falsos amigos. Que haja mil demônios fora da Igreja, antes que um só em seu seio! Não nos inquietemos com os ataques daqueles de fora, mas tenhamos cuidado, oh! Tenhamos cuidado com estes lobos vorazes que vêm até nós vestidos de cordeiro. É contra esses que os ministros da Palavra devem denunciar, com uma santa cólera, os terríveis julgamentos de Deus; é por eles que devem derramar suas mais copiosas lágrimas, porque eles são os mais perigosos inimigos da cruz de Cristo.
Mas, precisemos melhor, e indiquemos resumidamente alguns dos desagradáveis efeitos que resultam da presença dos formalistas na Igreja.
Em primeiro lugar, eles entristecem e afligem singularmente o corpo de Cristo, a assembléia dos fiéis. Eles são a causa, sem igual, dos gemidos mais dolorosos que jamais escaparam do coração dos filhos de Deus. Que um incrédulo me insulte, e me cubra de lama na rua, creio que lhe agradeceria a honraria que me fez, se eu sei que me injuria pelo nome de Cristo; mas se um que se diz cristão, faz jorrar sobre a causa de meu Mestre a sujeira de uma vida desregrada, meu coração lamentaria dentro em mim, porque eu sei que tais escândalos são mais prejudiciais ao Evangelho que as fogueiras e as torturas. Que todo o homem que odeia o Senhor Jesus me sobrecarregue de maldições, não derramarei uma única lágrima; mas quando eu vejo um de seus pretensos discípulos renegá-lo e traí-lo, como não afligirei minha alma e qual o cristão que não se afligiria comigo?
Em segundo lugar, os falsos irmãos trazem infalivelmente, como consequência, divisões na Igreja. Eu digo isto com a mais inteira persuasão. Se voltássemos à origem de nossas discórdias eclesiásticas, encontraríamos que todas, ou quase todas, deveriam ser colocadas na conta dos formalistas, que, por sua conduta inconsequente, obrigaram os cristãos vibrantes a se separarem deles. Haveria mais unidade entre nós, se os hipócritas não se infiltrassem em nosso meio; haveria mais cordialidade, mais abandono, mais amor fraternal, se esses hábeis sedutores não nos tivessem ensinado, às nossas custas, a nos mostrar reservados e cheios de suspeita. E mais, eles são sempre os primeiros a falar mal dos crentes verdadeiros, e a semear divisões entre eles. E em todo o tempo tem sido assim. O que fez a Igreja de Deus sofrer os mais graves danos jamais sofridos por ela? Não foram as tramas mortais de seus inimigos confessos? Não foram os incêndios secretamente semeados em seu próprio campo pelos homens, vestidos, é verdade, da máscara da piedade, mas que não são menos que espiões e traidores?
Notemos, além disso, que tais pessoas fazem um mal incalculável aos não convertidos. Quantos pobres pecadores, que começaram a voltar-se para Cristo, são mantidos longe dele pelos escandalosos paradoxos existentes entre a conduta e os princípios de certos cristãos! Quantas vidas, nascendo para a piedade, que vão se quebrar cada dia nessa pedra de tropeço!

E aqui, permitam-me, meus irmãos, de lhes contar um fato que confirma, de uma maneira surpreendente, a verdade a que me referi. Eu espero discernir o que há de importante e oro a Deus que lhes faça sentir também. Um jovem ministro, de passagem por uma Igreja de uma cidade, pregou um sermão que pareceu causar uma profunda impressão sobre o auditório. Um jovem em particular foi tão tocado pelas palavras graves do pregador, que resolveu ter uma entrevista com ele. Em vista disso, ele o atendeu na saída da Igreja e ofereceu-se a lhe acompanhar até sua casa. Caminho andado, o ministro lhe falou de tudo, exceto do Evangelho. Grande era a angústia do jovem. Este bem que tentou colocar ao ministro que o acompanhava, uma ou duas questões sobre a salvação de sua alma, mas o pastor lhe respondia friamente e de uma maneira evasiva, como se o assunto fosse de pouca importância. Enfim, chegaram à sua casa; várias pessoas se achavam reunidas, e logo nosso pregador travou uma conversa das mais leves, que temperou com boas palavras e piadas exageradas. Logo, encorajado, sem dúvida pelos risos de aprovação que acolheram suas primeiras pilhérias, sem perceber pronunciou palavras que poderíamos chamar quase licenciosas. Indignado, fora de si, o jovem se levantou bruscamente; saiu para o quintal da casa, e aquele que há uma hora atrás chorava ouvindo falar do Senhor, agora gritava com raiva: “A religião é uma mentira! De agora em diante eu não creio mais nem em Cristo nem em Deus. Se eu for condenado, que minha alma seja requerida desse homem, porque foi ele quem a fez se perder! Faria assim, se tivesse convencido das coisas que ensina aos outros? Não! É um vil hipócrita; e de agora em diante não quero mais escutar nem a ele, nem seu Evangelho." O infeliz cumpriu a palavra; entretanto, quando, algum tempo depois, se viu estendido sobre seu leito de morte, pediu para ver o jovem ministro. Por uma notável coincidência, este, que habitava numa paróquia distante, se encontrava naquele momento na cidade, onde Deus, sem dúvida, lhe havia trazido, afim de que lá recebesse a pena de seu pecado. Sua Bíblia à mão, entrou no quarto do moribundo e se apressou a ler e orar, quando o doente lhe fez parar e disse: "Eu lhe ouvi pregar uma vez."- lhe falou olhando fixamente. "Deus seja louvado!" – respondeu o ministro, crendo ter sido usado na conversão daquela alma. "Que eu saiba, não há motivo algum para louvar a Deus, continuou friamente o doente; você está lembrado de ter pregado aqui tal dia, sobre tal texto? - Sim, eu me lembro perfeitamente. – Bem, senhor, naquele dia eu tremi ao lhe ouvir; eu estava perdido. Eu deixei a Igreja com a intenção firme de dobrar meus joelhos diante de Deus e de procurar seu perdão em Cristo. Mas, o senhor se lembra de algumas atitudes tomadas pelo senhor naquela casa? – Não, disse o ministro. – É preciso, então, que eu ajude sua memória, meu senhor, respondeu o moribundo. Mas antes de tudo, deixe-me dizer que, por causa da sua conduta naquela noite, minha alma deverá ser condenada; e se é verdade que ainda tenho um sopro de vida, também é verdade que eu lhe acusarei diante do tribunal de Deus por ter sido a causa de minha condenação!". Tendo dito isso, o infeliz fechou os olhos e expirou.
Eu creio, meus irmãos, que lhes seria difícil de conceber o que passou no coração daquele ministro quando se afastou daquele leito de morte... Toda sua vida ele deverá arrastar atrás de si este horrível, este terrível remorso: "Há uma alma no inferno que me acusa por sua condenação!"

E um remorso como esse, eu temo, pesará um dia sobre a consciência de muitos membros de nossas Igrejas. Quantos jovens, de fato, desistiram de uma séria procura da verdade pelas censuras ásperas e amargas dos modernos fariseus!
Quantas almas sinceras se tornaram prevenidas contra a sã doutrina, pela conduta pouco edificante daqueles que fizeram profissão de aderi-la! Ah! Pior para vocês escribas e fariseus hipócritas! Porque, não somente vocês não entram no reino dos céus, mas impedem de lá entrar aqueles que gostariam de fazê-lo; vocês se apoderaram da chave do conhecimento, vocês fecharam o ferrolho da porta da salvação com duas voltas pelas suas infidelidades, e afastaram, pela sua flagrante hipocrisia, as almas que estavam dispostas a se aproximar!
Um outro efeito deplorável da conduta dos cristãos formalistas, é que ela causa uma grande alegria ao demônio e seu partido. Pouco me importa o que dizem os incrédulos em seus livros e discursos: quão hábeis sejam (certamente eles precisam ser bem hábeis para provar o absurdo e dar ao erro uma aparência de verdade), quão hábeis sejam, repito, pouco me importam seus ataques, há muito tempo que eles se apoiam sobre mentiras. Mas quando nos dirigem reprovações com base, quando as acusações que intentam contra a Igreja de Deus são fundadas, oh! Então devem ser temidos, e é também quando Satanás triunfa.
Quando um homem tem uma conduta cristã reta e íntegra, ele desarma logo a crítica; quando leva uma vida santa e irrepreensível, se cansarão logo de rir à suas custas; mas se ele manca dos dois lados, se ele age ora como cristão, ora como mundano, que não esqueça - ele leva almas para os adversários e lhes dá ocasião de blasfemar do Evangelho. Ah! Quem poderia dizer as imensas vantagens logradas pelo demônio sobre a Igreja, por causa das infidelidades daqueles que pretendem ser seus membros? “Vocês dizem e não fazem; suas vidas não estão de acordo com seus princípios” - tal é a mais temida máquina de guerra com a qual Satanás rompe as brechas das muralhas da Igreja.
Cuidado, meus caros ouvintes; velem constantemente sobre si mesmos, a fim de não desonrarem a causa que vocês fazem profissão de amar.
E aqui, me sinto pressionado a me dirigir em particular àqueles que, como eu, têm trilhado firmemente sobre a eleição da graça. Vocês sabem por que nós cremos em uma salvação puramente gratuita, por que dizemos como São Paulo: pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia (Rm 9:16)? Em outros termos, por que nos chamam de ultra-calvinistas, de antinomianos, nos olham como a escória de toda a terra, acusam nossas doutrinas de encorajar o vício e a imoralidade? Queremos realmente, meus amados, refutar vitoriosamente a calúnia? Esforcemo-nos para viver de uma maneira mais e mais digna de nossa vocação; temamos, por nossas quedas e nossas fraquezas, para não darmos ocasião aos ataques de nossos adversários; em uma palavra: tomemos cuidado para não lançarmos lama sobre estas santas verdades que nos são tão caras quanto à vida, e às quais esperamos permanecer fiéis até à morte.

Pr. Carlos Borges(CABB)