sábado, 9 de novembro de 2019

O DEUS ETERNO É A TUA HABITAÇÃO /BASTA AO DISCIPULO SER COMO O SEU MESTRE

                                                                   Deuteronômio 33.27
A palavra habitação pode ser  traduzida por "mansão" ou " lugar de morada", o que dá a ideia  de que Deus é nossa morada, nosso lar. Há plenitude e uma doçura  na metáfora, pois nosso lar é muito estimado por nosso coração, ainda  que seja  uma cabana  mais simples, ou um sótão mais apertado. e mais estimado ainda  é o nosso Deus, em  quem vivemos, nos movemos  e existimos. É em casa que nos  "sentimos seguro", deixamos o mundo para fora  e permanecemos  em calma segurança. Então, quando estamos  com nosso Deus não "tememos mal  algum". Ele é nossa proteção e nosso abrigo, nosso refúgio permanente. Em casa, "temos nosso descanso"; é ali que  encontramos  repouso após a fadiga e o trabalho pesado  do dia. E, da mesma forma , nosso coração  encontra descanso em Deus, quando, cansado devido aos  conflitos da vida, nos voltamos para Ele e nossa alma descansa aliviada. Em casa,  nós também "deixamos nosso coração livre; não temos  medo de ser mal compreendidos nem de que nossa s palavras sejam  mal interpretadas.
Então quando estamos  com Deus podemos ter  comunhão livre com Ele, deixando em aberto todos os nossos desejos escondidos pois, se "a intimidade do Senhor é para os que o temem", os segredos daquele que o temem precisamos estar, devemos estar com o seu  Senhor. A casa  também é o lugar de nossa "felicidade mais verdadeira e puro", e é em Deus que nosso coração encontra seu deleite mais profundo. A alegria  que temos nele  excede grandemente  a qualquer outra  alegria. "É também  para nossa casa que trabalhamos". Essa ideia  nos dá força para suportar os fardos  diários e aviva as mãos para executarem a tarefa; e neste sentido podemos também dizer que Deus é nosso lar. O amor a ele nos fortalece. Pensamos nele, na pessoa de Seu amado Filho e um vislumbre da face  sofredora do Redentor nos constrange  a trabalhar em sua causa.Sentimos que precisamos trabalhar, pois ainda temos  irmãos  a serem salvos e temos o coração  do nosso  Pai ao qual  desejamos  alegrar, trazendo  para casa  Seus filhos afastados; desejamos  encher de santa alegria  a consagrada família  na qual habitamos.
Felizes são aqueles  que têm o Deus de Jacó como refúgio.

                                                        BASTA AO DISCÍPULO SER COMO O SEU MESTRE
                                                                                           Mt.10.25
Ninguém contestará essa afirmação, pois seria inconveniente que o servo fosse exaltado acima de  seu Mestre. Quando nosso Senhor  estava na terra, qual foi o tratamento que recebeu? Suas alegações  foram reconhecidas, Suas instruções seguidas, Suas perfeições  adoradas por aqueles a quem Ele veio abençoar? Não! "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens" Sua morada era fora do acampamento, carregar a cruz era sua ocupação. O mundo  concedeu-lhe conforto e repouso? "As raposas  têm seus covis, e as aves do céu, ninhos mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". Esse território inóspito não lhe proporcionou  abrigo; o expulsou e o crucificou . Se você é seguidor de Jesus e mantém uma caminhada e relacionamento consistente  e semelhante ao de Cristo, você deve esperar que a parte de sua vida espiritual que se manifesta  exteriormente, fique  sob a observação dos homens. Eles o tratarão como trataram o Salvador: com desprezo. Não sonhe que pessoas  mundanas  o admirarão  ou que,  quanto mais santo e semelhante a Cristo você for, mais pacificamente  será  tratado pelas pessoas.Elas não valorizam  o diamante polido, como, então, valorizarão a pedra preciosa ainda bruta? "Chamaram Belzebu ao dona da casa, quanto mais aos seus domésticos'? Se fossem mais  como Cristo, deveríamos ser mais odiado por  Seus  inimigos. Seria uma triste  desonra  para o Filho  de Deus ser querido  pelo mundo. É um sinal  muito ruim o mundo perverso aplaudir  e exclamar: "Bom Trabalho" ao homem cristão.
E se isso acontecer, o cristão  deve começar  a analisar  seu caráter e se perguntar  se não está agindo incorretamente, considerando que os injustos o estão  aprovando. Sejamos  fiéis a nosso Mestre e não tenhamos  amizade com um mundo cego e vil que o rejeita. Longe  de nós  buscar uma coroa de honra onde nosso Senhor encontrou uma coroa  de espinhos.

Eis mais uma porção do Livro "DIA A DIA COM SPURGEON - MANHA E NOITE pgs. 640,641    
     
Pr. Carlos Borges (CABB )

sábado, 2 de novembro de 2019

O SENHOR DOS EXÉRCITOS ESTÁ CONOSCO



Sl. 46.1-7
Introdução: Um dos hinos compostos pelos descendentes de Corá, o Salmo 46 enfatiza a confiança do povo de Israel na proteção divina. O cabeçalho não identifica o ambiente histórico do Salmo, mas seu conteúdo se ajusta bem a circunstâncias como o rei Ezequias e o profeta Isaías enfrentou quando os assírios cercaram Jerusalém e ameaçaram destruir a cidade (leia o relato em 2 Crônicas 32:1-23 e Isaías 36 e 37). Esse Salmo nos lembra da importância de sempre confiar em Deus, não importa a dificuldade da nossa circunstância.


I ASPECTOS GERAIS
1-Autor titulo e data
·        Cântico sobre Alamote-Essa observação denota, talvez, que a música tinha de ser tocada em tom alto para a voz de soprano das virgens hebreias.
·        Elas saíram dançando para cantar os louvores de Davi, quando matou Golias.
·        Não é desprezível a informação, segundo a qual o salmo 46 foi escrito ao final de uma experiência de luta.
·        Embora não possamos saber com certeza, o texto mesmo parece indicar este contexto.
·         Essa informação nos deixa à vontade para ler este salmo e crescer com ele.
·        Assim, o salmo 46 é uma canção para ser entoada num culto.
·        Perdemos a melodia, mas o ritmo está ali, inclusive o estribilho, que aparece nos versos 7 e 11.
·        A experiência vivida pelo poeta, e não sozinho, porque junto com outras pessoas, seus familiares, seus companheiros de luta, seu povo, leva-o a concluir que devia acalmar-se, aquietar-se, de desagitar-se, parar de lutar.


2- Classificação.
·        O Salmo 46 é chamado de “O salmo de Lutero” porque o reformador cantava este salmo nas horas de aflição e o parafraseou num hino, “Castelo Forte”.
·        O salmo é um hino que fala da segurança que o povo de Deus pode desfrutar em meio ao caos deste mundo.
·        Para expressar esse tema, tão pertinente em nossos dias também, o salmista escolheu a métrica regular, algo incomum na poesia hebraica.
·         Três estrofes praticamente iguais em tamanho, com refrão e a palavra “Selá” devidamente posicionados, apresentam figuras de contrastes marcantes.
·        Águas turbulentas, montanhas abaladas e um rio tranquilo; nações agitadas, a terra se dissolvendo com a voz do Senhor; a desolação da guerra e Deus governando calmamente sobre as nações.

3-Refugio e fortaleza (Sl. 46.1).
·        Deus é refúgio no perigo.
·        Força para levar a nossa vida para finalidades construtivas, socorro e consolo nas preocupações.
·        Para exemplificar este fato, descrevem-se quatro calamidades que pareceriam ser o fim do mundo, sem atemorizarem aos que tem Deus como refúgio (Rm 8.31-39).
·         A presença e o poder de Deus, reconhecidos e aceitos em nossas vidas, constituem a diferença entre derrotas e vitórias, entre fracassos e êxitos, entre o medo e a fé.
·        Cada uma das três partes do salmo repete a declaração que “Deus é o nosso refúgio” (v. 1, 7 e 11) socorro bem presente.
·         A frase completa diz, literalmente, “encontrou-se uma ajuda extraordinária na tribulação”.
·        Visto que Deus sempre nos ajuda, podemos confiar nEle nas tribulações.
·        Isto é, tendo em vista o que Davi disse no v. 1.
·         Os fenômenos físicos de agitação da natureza, terremoto que lança as montanhas ao mar, a fúria das ondas e o cataclismo de uma onda gigante, bem como comoções e revoluções na política mundial, não devem abalar os que confiam em Deus.
·        Não importa o que aconteça, Deus é um refúgio seguro.


II NÃO TEMEREMOS
1-Superando calamidades (v.2-7)
·        A palavra “tribulações” refere-se a pessoas em lugares apertados, encurraladas num canto e incapazes de sair dessa situação.
·        Veja que estratégia maligna dos exércitos assírios, eles queriam encurralar o povo de Deus, deixarem sem recursos para uma saída.
·         Talvez, você leitor [a] se encontra nessa mesma situação, em que o inimigo quer te encurralar, lhe deixar à mercê de seus ataques.
·        Mas a Palavra de Deus para estas situações é: “Não temas!”.
·         Quando os oficiais assírios ameaçaram Jerusalém, Isaías disse ao rei: “Não temas por causa das palavras que ouviste” (II Rs 19.6).
·         Esta é a palavra de Deus para você.
·         Talvez você não veja o livramento, tudo parece perdido, o inimigo se agiganta, mas ouça a Palavra de Deus – “não temas!”.
·        A terra pode mudar, as montanhas podem ser arremessadas violentamente no mar, podem vir terremotos e maremotos, mas todas as coisas estão sob o controle de nosso Deus.
·        Ele é nossa fortaleza e nosso refúgio em meio às incertezas da vida.


2-Rio que alegra (Sl. 46.4).
·        Deus Está no meio – (Sl 46.4-7) – A cena seguinte mostra Jerusalém, onde o povo encontrava-se sitiado pelo exército assírio.
·        A água era um bem precioso na Palestina, especialmente em Jerusalém, uma das poucas cidades da Antiguidade não construída à beira de um rio.
·        Ezequias havia usado de sabedoria e construído um sistema subterrâneo de abastecimento que ligava os mananciais de Giom, no vale de Cedrom, ao tanque de Siloé, dentro da cidade, de modo que havia água disponível (II Rs 20.20; II Cr 32.30).
·         Que fantástico! Ezequias estava querendo dizer: “Ainda que ele [inimigo] corte nosso suprimento de água, e aí, poderia ser caracterizada a derrota do povo de Jerusalém, Ezequias diz:”.
·        “Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo”.
·        O poeta sabia que Deus era o seu rio, aquele que supre a água da vida (Sl 36.8; 65.9; 87.7 e Jo 7.37-39).
·        No tempo do rei Acaz, Isaías comparou uma invasão dos assírios a um rio transbordante, mas lembrou o povo que seu Deus era como um rio tranquilo (Siloé) que lhes traria a paz (Is 8.1-10).

3- Deus nos ajuda (Sl. 46.5).
·        O verso 5 diz: “Deus está no meio dela” – ainda que eles estivessem encurralados, sem saída, o Deus Eterno está no meio dela.
·        Ou seja, ninguém os derrotaria, pois Deus era aquele que comandava tudo!
·        Sem dúvida, Jerusalém era uma cidade santa, separada por Deus, e que abrigava seu santuário, mas isso não era garantia alguma de vitória (Jr 7.1-8).
·        A fim de que o Senhor os ouvisse e salvasse, o rei e o povo precisava voltar-se para o Senhor com uma atitude de contrição e fé – foi o que fizeram.
·        Deus socorreu Jerusalém quando o dia amanheceu (“desde ante manhã”; vs 5), pois o Anjo do Senhor matou 185 mil soldados assírios e mandou Senaqueribe de volta para casa (Is 37.36).


III GARANTIA DE VITÓRIA
1-Vinde contemplai (Sl. 46.8-9).
·        Deus faz cessar a guerra (Sl 46.8-11) – a terceira cena mostra os campos ao redor de Jerusalém, em que os soldados assírios estão mortos, suas armas e equipamentos espalhados e quebrados.
·        Não havia ocorrido batalha alguma, mas o Anjo do Senhor deixara esses vestígios, a fim de estimular a fé do povo de Deus.
·        “Vinde, contemplai as obras do Senhor, que assolações efetuou na terra” (vs 8).
·        O Senhor derrotou e desarmou seus inimigos e destruiu suas armas, de modo que não podiam mais atacar.
·         


2-Aquietai-vos (Sl. 46.10).
·        “Aquietai-vos” quer dizer, literalmente: “Não mexam em nada! Descansem!”.
·         Nós gostamos de “mexer em tudo” e de dirigir nossa vida a nossa maneira, mas Deus é Deus, enquanto nós não passamos de servos do Senhor.
·        Pelo fato de Ezequias e de seus líderes terem permitido que Deus fosse Deus, Ele os livrou de seus inimigos.
·        Foi assim que o rei Ezequias orou: “Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o Senhor Deus” (II Rs 19.19).
·       O Senhor chama a si mesmo de “Deus de Jacó”, e lembramos como Jacó meteu-se em apuros em várias ocasiões por tentar intervir nas circunstâncias e fazer o papel de Deus.
·       Há um momento certo para obedecer a Deus e agir, mas até que chegue essa hora, devemos deixar trabalhar livremente, a seu tempo e a seu modo.
·        Em outras palavras, deixe Deus ser Deus em sua vida.

3-O Senhor dos Exércitos (Sl. 46.11).
·        O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. 
·        “Aquietai-vos” quer dizer, literalmente: “Não mexam em nada! Descansem!”.
·        Pelo fato de Ezequias e de seus líderes terem permitido que Deus fosse Deus, Ele os livrou de seus inimigos.
·         Foi assim que o rei Ezequias orou: “Agora, pois, ó Senhor, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o Senhor Deus” (II Rs.19.19).
·        O povo de Judá pertencia a maior tribo de Israel, que se estabeleceu na parte Sul de Canaã, onde Jerusalém estava localizada (Js. 15.1.12).
·        Davi era de Judá, e ele fez de Jerusalém a capital e o centro de adoração da nação.
·        Jesus também pertencia à tribo de Judá.
·        O Salmista afirmou que chegaria o dia em que Deus traria a justiça a terra, e o povo de Deus alcançaria o respeito merecido.  

               Pr. Carlos Borges (CABB)

sábado, 26 de outubro de 2019

O SENHOR É O MEU PASTOR



Sl 23.1-6
Introdução: O Salmo 23 é um poema lindo sobre como Deus se relaciona com quem entrega sua vida a ele. Quando você se sente com medo ou preocupado, o Salmo 23 ajuda a ver que Deus está no controle e não vai falhar. Veja como Deus ama, cuida e protege você, nesse salmo maravilhoso.


I ASPECTOS GERAIS
1-Autor titulo e data
·        Conforme a tradição judaica, David teria escrito este salmo quando estava cercado num oásis, à noite, por tropas de um rei inimigo.
·        O Salmo inserir tamanha confiança na Providência Divina contra os inimigos o salmo é rezado para afastar perigos e perseguições.
·        Uma das orações mais poderosas.
·        Alguns especialistas judaicos afirmam que há elementos cabalísticos em sua recitação em hebraico.
·        É considerado o mais conhecido salmo bíblico.
·        Uma das possíveis traduções para o português é: 1-David era o irmão mais novo, entre os numerosos filhos de Jessé; 2-O pai escolheu-o para pastor. O jovem pastor David, segundo o relato bíblico do livro do profeta Samuel, quando inspirado por força divina, matava as feras para defender as ovelhas do seu rebanho; 3-Daí a forte referência pastoril em "O Senhor é meu pastor"; 4-Existem várias referências ao pastor e às ovelhas na Bíblia, sendo interessante pensar nas condições e locais da época assim como as ferramentas do pastor.


2-Classificação
·        O Salmo 23 é talvez o segundo Salmo mais lido da Bíblia, perdendo somente para o 91.
·        Hoje, faremos uma explicação do Salmo 23, versículo por versículo.
·        Em primeiro lugar. Segundo alguns historiadores e especialistas, Davi escreveu o Salmo 23 quando ainda era jovem.
·        Por isso ele faz alusão ao pastor, a pastos verdejantes (ou verdes pastos, depende da versão), vara, cajado e termina dizendo que a bondade e a misericórdia o seguirão todos os dias da sua vida.
·        No Salmo 23, a Bíblia usa a metáfora de um pastor e suas ovelhas para ilustrar o terno cuidado de Yahweh por seus adoradores.
·        Ele deseja que sintamos a mesma segurança daqueles que, como o salmista Davi, dizem com confiança: “Yahweh é o meu Pastor.” — Versículo 1.
·        Ele conhecia as necessidades das ovelhas e as responsabilidades de um pastor.
·        Davi, que tinha sentido o cuidado de Deus em sua vida, escreveu o que tem sido chamado de “um salmo de garantia ou confiança”.
·        O nome divino, Yahweh, aparece no começo e no fim desse salmo. (Versículos 1, 6)


3- Espiritual intimista
·        Sem pastor, as ovelhas geralmente se perdem.
·        De maneira similar, precisamos de ajuda para encontrar o caminho certo na vida (Jeremias 10:23).
·        Conforme Davi explica, Yahweh conduz seu povo a “pastagens relvosas” e a “lugares de descanso bem regados”.
·        Ele os guia “nos trilhos da justiça”. (Versículos 2, 3).
·         Essas imagens pastorais nos garantem que podemos confiar em Deus.
·        Por seguirmos a orientação de seu espírito, revelada na Bíblia, podemos ter o tipo de vida que resulta em satisfação, revigoramento e segurança.
·        Sem o pastor por perto, as ovelhas ficam com medo, sem saber o que fazer.
·         Yahweh diz a seus servos que eles não precisam ter medo, mesmo que ‘andem pelo vale da sombra tenebrosa’, ou seja, durante os piores momentos de sua vida (Versículo 4).
·         Yahweh cuida deles; está sempre pronto a ajudá-los.
·         Ele pode dar a seus adoradores a sabedoria e a força que precisam para lidar com provações. — Filipenses 4:13; Tiago 1:2-5.


II O BOM PASTOR
1-Plenitude e paz (Sl. 23.1,2).
·        Em primeiro lugar é preciso reconhecer que o Salmo 23 divide-se em duas partes: A primeira vai do verso 1 ao 4, e apresenta o Eterno (YHWH) como um pastor de ovelhas; a segunda envolve os versos 5 e 6, e mostra o Eterno metaforicamente na figura de um anfitrião.
·         Trata-se de uma questão fundamental para a compreensão dos versículos finais do texto.
·        Algumas pessoas interpretam o salmo incorretamente, pois entendem que há uma única metáfora em todo o salmo.
·        A figura de Deus como pastor de ovelhas.
·        Isso não é possível.
·        Não se pode entender que a ovelha tem a cabeça ungida no verso 5, muito menos teria o mamífero lanoso condição de beber um “cálice (de vinho) transbordante”.
·        Ao descrever o Senhor como um pastor, Davi escreveu sobre a sua experiência, porque passou muitos anos de sua juventude de pastoreando ovelhas (1 Sm. 16.10,11).
·        Durante esse período de pastoreio as ovelhas, elas se tornam dependente do pastor para suas provisões., direção e proteção.
·        No Novo Testamento Jesus é chamado de o Bom Pastor (Jo. 10.11).
·        O grande Pastor (Hb. 13.20); o sumo Pastor (1 Pe. 5.4).
·        Como o Senhor é o Pastor, somos as suas ovelhas, não no sentido de sermos assustados e passivos, mas seguidores obedientes, sábios o bastante para seguir alguém que nos levará aos lugares certos e do modo correto.
·        O Salmo 23 não revela as características das ovelhas como animal, mas as dos discípulos e as do Pastor.
·        Ao reconhecer o Bom Pastor, siga-o.


2-Vereda de justiça.
·        Na mesma linha de raciocínio, as “veredas da justiça” indicam os caminhos certos e seguros que a ovelha deve trilhar.
·        A ideia é principalmente de direção para a vida.
·         E o mais extraordinário é que Deus assim age por causa da sua honra, isto é, do seu nome (Êxodo 32.12-14), o que garante o seu pleno cuidado amoroso.
·        O caminho da justiça é sempre o menos percorrido.
·        Por outro lado é o único caminho certo!  
·        Para entender melhor este versículo, te convido a ler o estudo bíblico: Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Mas o que isso significa?   
·        Andar pelo caminho da justiça significa agir conforme Jesus!
·        Embora o Jesus histórico não existisse de maneira carnal, o Jesus espiritual é o “cordeiro imolado desde a fundação do mundo”.


3-Não temerei
·        “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”
·        O fato é que a ovelha corria perigo de morte ao andar pelos vales escuros e acidentados da geografia da Terra de Israel, especialmente quando pensamos nos montes de Judá.
·         É por isso que o verso 4 menciona o “vale da sombra da morte” (que aqui nada tem de ‘passagem para a vida eterna’); trata-se de um vale escuro e perigoso que pode levar a ovelha à morte.
·        Essa ovelha não precisa temer o mal, ou melhor, o perigo, porque será “protegida” pela vara e pelo cajado do pastor.
·        O sentido do verbo “nacham” no texto não é “consolar” (tradução tradicional) no seu aspecto psicológico, mas sim “proteger”!
·        A sombra da morte é pior do que a própria morte, porque quando a morte vem você não vê nada e simplesmente morre.
·        Mas a sombra da morte não é a morte, ou seja, você sabe que ela está ali, mas ela não leva você.
·        O mesmo Deus que te proporciona pastos verdejantes está com você na sobra da morte.
·        O mesmo Deus que te guia mansamente a águas tranquilas, também te faz sentir consolo na vara e no cajado.
·        Perceba como a explicação do Salmo 23 está sempre lidando com este aparente paradoxo, porque a vida é assim!
·        E a mensagem é: os cenários irão mudar, mas o Senhor sempre será o nosso pastor! Aleluia!

III O ANFITRIÃO HONRADOR
1- Honra pública
·        “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda”. Salmos 23:5
·        A mesa do Senhor é a mesa da verdade!
·        Muitos utilizam este versículo como base para a “exaltação” ou até “vingança”, mas na verdade este é um versículo de reconciliação!
·       A mesa é um lugar onde todos se sentam para um banquete e para uma conversa.
·        Neste caso Davi quer uma mesa de reconciliação com os seus inimigos.
·        E ao mesmo tempo em que acontece a reconciliação, também acontece à unção.
·         Onde não tem reconciliação, não tem unção!
·       Você pode revelar você pode falar em línguas, você pode gritar você pode pular o quanto quiser, mas se não existir da sua parte uma reconciliação com os seus inimigos, de nada adiantará todo barulho.

2- Unção de Honra
·        Em seguida surge no texto a menção da unção com óleo.
·        A unção com óleo aqui não tem significado de “cura” nem de “poder espiritual”, como popularmente se sugere muitas vezes.
·        Trata-se de uma unção de honra.
·        Está relacionada com a ideia de deferência destinada a pessoas importantes.
·        Era o caso de sacerdotes e reis que eram ungidos (Êxodo 28.14; 1Reis 19.16) no Israel do Antigo Testamento, o que indicava escolha divina e posição honrosa perante a comunidade.
·         Quando alguém digno de honra era recebido em uma casa, a saudação incluía “uma unção com óleo”; foi por essa razão que Jesus repreendeu Simão por deixar de “ungir a cabeça (de Cristo) com óleo” (Lucas 7.46).
·         Portanto, o que Salmo 23.5 quer dizer é que o Eterno recebe o seu fiel como um anfitrião de uma refeição especial, tratando-o com honrarias.
·        E ao mesmo tempo em que acontece a reconciliação, também acontece à unção.
·        Onde não tem reconciliação, não tem unção!
·        Você pode revelar você pode falar em línguas, você pode gritar você pode pular o quanto quiser.
·        Mas se não existir da sua parte uma reconciliação com os seus inimigos, de nada adiantará todo barulho.


3- Bondade e misericórdia
·        “Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias. ”Salmos 23:6.
·        O verso 6 traz o desfecho do salmo falando da “bondade e da misericórdia” constantes do Eterno.
·        A inclusão do verso tem a ver com a tremenda confiança que o salmista tem em Deus. Ele está absolutamente seguro de que Deus lhe destinará bondade e misericórdia.
·         O mais interessante, porém, é que a palavra hebraica “hesed”, geralmente traduzida por “misericórdia”, é de fato o amor da aliança de Deus com Israel.
·        Trata-se de um amor inabalável; o termo traz uma dualidade semântica: é amor e fidelidade ao mesmo tempo.
·        É o amor fiel (leal) de Deus. Isso significa que Deus “cumprirá o que ‘assinou’”, movido por seu amor! Ainda mais surpreendente é o verbo geralmente traduzido por “seguir” ou “acompanhar”.
·        “Radaph” em hebraico é literalmente “perseguir”, “correr atrás”.
·        O verbo só é usado dessa forma aqui em Salmo 23.6!
·        A confiança do salmista é tamanha que ele está absolutamente seguro de que a bondade e o amor leal do Eterno vão correr atrás dele!
·        Não o deixarão escapar jamais! É uma “santa paranoia”.
·        A bondade e a misericórdia (lembra-se do versículo anterior?) estarão conosco independe do cenário.
·        O problema é que nós achamos que o cenário é tudo, mas não é!
·        Em outras palavras, não importa se você está passando pelo vale da sombra da morte ou pelos pastos verdejantes, o importante é que o Senhor é o seu Pastor!
·        Quando tomamos consciência disso e passamos a viver a vida sabendo que o Senhor é o Pastor, pode vir o cenário que for eu continuarei crendo que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida!

      Pr. Carlos Borges (CABB)